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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

“Echa la ley, echa la trampa”

Publicado em 04/12/2018 00h31

No filme Matrix, de 1999, dirigido pelas irmãs Lana e Lilly Wachowski (em 1999, ano da realização do filme, eles eram os irmãos Wachowski, mas os dois trocaram de sexo), o agente Smith, a personificação de um programa de computador, diz para Neo, o personagem principal: “Vocês são um vírus para o planeta. O homem chega em uma região, termina com os recursos ali existentes, em seguida muda para outra, repetindo o processo, até exaurir todos os recursos”. Infelizmente, a fala de um personagem de um filme retrata a realidade. As notícias sobre o desmatamento no Brasil, a recusa dos Estados Unidos em diminuir as emissões de carbono, a poluição na China, o descontrole no clima, estão confirmando previsões catastróficas para o planeta.

Porém, independentemente dos grandes acordos internacionais, é no nosso cotidiano que o problema ambiental começa. Por exemplo, pouca gente procura consumir conscientemente, separar o lixo doméstico, evitar deixar resíduos em praias e outros locais, ou seja, se levarmos em conta que são mais de sete bilhões de pessoas no mundo, este comportamento aponta para um futuro preocupante. Falando sobre o nosso entorno, a Câmara de Vereadores de Tubarão aprovou na semana passada uma lei que proíbe jogar lixo nos espaços públicos, prevendo multa para quem descumpri-la, de acordo com o volume depositado. Para os pequenos, com tamanho igual ou menor a 250 mil centímetros cúbicos (?) a multa é de R$ 142,29. Para volumes acima de meio metro cúbico (?), os valores podem passar de R$ 7 mil.

O não pagamento da pena vai acarretar em protesto de título pela prefeitura. Se o ocupante de um veículo for flagrado jogando lixo na rua, o agente responsável pela autuação lançará a multa para aquele veículo. Pedestres também poderão ser abordados, podendo a autoridade encaminhar ao distrito policial aquele que se negar a fornecer dados para o auto de infração. Alguns questionamentos: quem vai medir e como será feito esse processo? Existe estrutura compatível na prefeitura para efetuar esta fiscalização? E quem vai fiscalizar os fiscais, para que estes não exagerem na função, multando a torto e a direito? Por fim, não deveriam ser feitas campanhas de conscientização para evitar a necessidade de fiscalizar e multar?

Claro que a consciência ambiental deve começar em casa, mas considerando que o apelo consumista torna-se cada vez maior, levando muita gente a consumir produtos dos quais não têm necessidade, o que aumenta considerável e inevitavelmente o descarte dos mesmos, como o de objetos plásticos, e a consequência é o crescimento da poluição e da degradação do meio ambiente. Querem um exemplo próximo? Observem o que é deixado de lixo nas praias, depois de um final de semana, principalmente a partir de agora, quando se aproxima a temporada de verão. Se houvesse um mínimo de preocupação com o ambiente, situações como esta poderiam ser evitadas, não havendo a necessidade de leis para estabelecer normas e regras. Até porque, como dizem los hermanos: “echa la ley, echa la trampa”.


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