Solange conta que não sabia se ria ou se chorava de emoção quando os filhos e o marido chegaram em casa carecas. "O apoio deles é fundamental neste período. Nós vamos vencer!", afirma a mais nova morena do pedaço! - Foto: Arquivo da Família

Enfrentar o câncer é uma batalha árdua para qualquer pessoa. O tratamento é agressivo, na maioria dos casos é necessário cirurgias igualmente invasivas. A caminhada não é fácil e nem simples. Mas quando se tem uma família unida, percorrer a estrada da cura pode ser um pouquinho mais fácil e, no caso da Solange Kafka Ghizoni, de 51 anos, até mesmo engraçado.

O dia passava assim como todos os outros na pequena Grão-Pará, no Vale do Braço do Norte. Ela estava em casa e os dois filhos, Pedro Miguel (19), que é estudante de medicina na Unisul em Tubarão, e Paulo Henrique (15), que cursa o Ensino Médio no Colégio Dehon, haviam saído. O marido, Marcioney Adão Pereira, estava no trabalho. Ele é o proprietário da Ney Bebidas.

De repente, os três chegaram em casa e, para a surpresa de Solange, estava todos carecas. Ela descobriu um câncer de mama recentemente e, após quatro sessões de quimioterapia, os cabelos começaram a cair. Para facilitar – e não ficar sofrendo a cada fio – ela raspou a cabeça.

Solange é dessas mulheres que ama a vida, está sempre bem-humorada, encara o tratamento numa boa. Mas confessa que quando os cabelos loiros e longos começaram a cair ficou um pouco triste.

“Eu já sabia que isso ocorreria e por mais que eu tenha trabalhado isso em mim, fiquei um pouco triste no dia em que precisei cortar tudo. Para a mulher acredito que esta etapa é sempre difícil, porque o cabelo faz parte da nossa autoestima. Mas também foi um dia triste. Eu quero viver. O cabelo que lute e cresça”, conta ela em meio a muitas risadas.

Os filhos e o marido, obviamente, perceberam que a mãe ficou um pouco triste. Então resolveram raspa a cabeça também como sinal de apoio e também para mostrar que ela é sempre vai ser linda, com ou sem cabelo.

Solange com os filhos e o marido. O cabelão loiro e comprido foi embora, mas a vontade de viver e o apoio da família dão força para seguir na luta: “Eu amo viver, eu quero viver, eu vou viver”, decreta a guerreira – Foto: arquivo da família

“Quando eles apareceram careca eu fiquei chocada, dei risada, chorei, agradeci. Enfim, foi um isto de emoções. Este apoio é fundamental para qualquer pessoa que passe por um tratamento contra o câncer”, destaca.

Solange descobriu o nódulo em dezembro, por acaso. Estava deitada e, do nada, resolver fazer o autoexame da mama. Sentiu algo estranho, mas não achou que poderia ser algo tão sério, pois tinha feito uma mamografia em fevereiro de 2021 e o resultado foi: nada consta!

Alguns exames depois veio a confirmação: havia um tumor de quase cinco centímetros na mama. “Na hora fiquei muito assustada, com medo, com preocupação. Enfim… mas não perdi tempo e já corri atrás do meu tratamento. Fiz a primeira quimioterapia no dia 30 de dezembro. Os médicos até disseram que poderíamos esperar o começo de janeiro para que eu curtisse a festa de fim de ano. Imagina, não aceitei. Quero viver, vou viver!”, detalha.

Nesta quinta-feira (27), Solange fará a quinta sessão de quimioterapia. O tumor já está com a metade do tamanho. O próximo passo será a cirurgia. Sua reação ao tratamento foi tão impressionante, que os médicos acreditam que ela não precisará remover a mama inteira, somente o quadrante onde o nódulo está.

“O câncer de mama mexe muito com a autoestima da mulher. Não só a doença, mas o tratamento. A gente não se sente mais atraente, sabe? Mas eu resolvi lutar. Eu amo viver e decidi: com cabelo, sem cabelo, com teta, sem teta… eu vou viver, eu vou me curar”, afirma.

O cuidado consigo, o amor próprio e pela vida realmente podem ter salvo a vida de Solange. Apesar de sempre fazer checkup anualmente, foi no autocuidado que ela descobriu a doença.

“Ainda existem muitas mulheres que têm vergonha de se tocarem. Mulheres: não tenham! Olhem para vocês, façam o autoexame, examinem seus corpos. Se tem algo diferente, procurem o médico. Não esperem, não sintam vergonha de se olharem. Isso é amor e ninguém deve ter vergonha de se amar!”, ensina Solange.

 

 

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