segunda-feira, 27 maio , 2024
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Daniel De Luca

Criando laços duradouros

“Não te desamparem a benignidade e a fidelidade; ata-as ao pescoço; escreve-as na tábua do teu coração e acharás graça e boa compreensão diante de Deus e dos homens.” (Pv 3.3-4)

As pessoas desaprenderam a se relacionar.

O extremismo danificou a capacidade de dialogar com os diferentes.

Os relacionamentos nunca estiveram tão frágeis.

Sintomas como depressão, ansiedade, amargura estão em alta. Famílias estão divididas, casamentos abalados. A “coisificação” das pessoas, quando são tratadas como meros objetos, tornou tudo ainda pior.

Como desenvolver bons relacionamentos? Como fortalecer os laços duradouros?

A sabedoria nos traz a resposta.

Cultivar bondade e fidelidade. Ou seja, ter uma visão realista da vida, mas esperançosa. Plantar no próximo a bondade, não a mesquinhez. Ser verdadeiro consigo mesmo, estabelecendo os limites de qualquer relação. Saber dizer “sim” e “não”.

Manter-se sempre fiel à sua missão principal: glorificar a Deus em casa, e depois fora de casa. Honrar os que convivem com você. Ser confiável e cumprir seus compromissos.

Bondade e fidelidade: duas companheiras indispensáveis para se sobressair em meio a uma cultura egoísta.

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INSENSIBILIDADE

“O pobre que explora os que são mais pobres do que ele é como uma chuva violenta que não deixa nenhum trigo.” ‭‭Pv 28:3‬

Vivemos num mundo injusto. A queda afetou todas as esferas da existência humana: tanto na relação consigo mesmo quanto com os outros.

A desigualdade traz o jugo. Tratar os outros como um objeto a ser usado para o benefício próprio mostra a mesquinhez da cultura. Pessoas deixaram de ser pessoas para viverem personagens. O aparente se tornou mais valioso que a essência.

Diante desse quadro, há um tipo de relação mais abusiva ainda: quando um abusado se torna abusador. Quando o ferido fere. Quando o amargurado se torna instrumento de amargura para o próximo.

A cura acontece quando perdoamos e caminhamos na direção oposta da situação que nos feriu. Ser um tolo nos leva a descontar a nossa dor nos outros, multiplicando a iniquidade.

No final das contas, a falta do perdão nos torna exatamente a pessoas que mais detestamos. Aquela que fere os outros.

 

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PERCA O CONTROLE

“Deixe nas mãos do Senhor tudo quanto você faz, e todos os seus planos serão bem-sucedidos.” (Pv 13.6)

Gostamos do controle.
Gostamos de ter em mãos todas as possibilidades.
Gostamos de pensar que sabemos todas as variáveis.

No entanto, isso não passa de ilusão. A vida não funciona assim. Não sabemos quase nada a respeito do próximo segundo. A vida não é cartesiana, reta, previsível.

A vida é selvagem. Há um mundo ao nosso redor que segue variáveis além de nossa percepção.

Isso nos deixa desconfortáveis pois nos mostra a nossa limitação. Somos, na realidade, frágeis e pequenos. Não sabemos quase nada da vida. Aquilo que ignoramos é maior do aquilo que sabemos.

 

O remédio?

Deixar de lado a ilusão do controle.
De fato, algumas poucas coisas estão na nossa mão. Mas são pequenas coisas. A maioria das esferas da nossa vida podem apenas ser influenciadas por nossas atitudes.

A sabedoria nos instrui no único caminho seguro diante do descontrole: confiar em quem comanda a história. Entregar nossos dias, nossa preocupação nas mãos do Senhor. Fazer a nossa parte com responsabilidade, entregando o resultado para Ele.

Isso garante 100% de sucesso? Não.
“ah, mas o texto diz que sim, que os planos serão bem-sucedidos…”. E de fato serão.
Não porque eles darão o resultado que esperamos.
Mas porque todos irão glorificar a Deus – e esse é o alvo.

A glória de Deus.

AÇÃO!

“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, no estio, prepara o seu pão, na sega, ajunta o seu mantimento.” (Pv 6.6-8)

Atitude.

Dar um passo depois do outro. Por vezes miramos nas coisas grandes, e ignoramos as coisas pequenas que conduzem à grandeza.

Olhamos para os grandes resultados, e não percebemos os anos colhendo pequenas vitórias anônimas.

A sabedoria traz aqui um importante alerta: as grandes lições podem ser encontradas nas pequenas coisas. Os maiores exemplos nas coisas mais insignificantes.

Quem imaginaria aprender sabedoria com uma formiga? Numa universidade? Sim. Com um mentor experiente? Certamente… mas com uma formiga?

Essa quebra de paradigmas é o primeiro passo para o conhecimento. O filtro que separa os tolos dos sábios. Os distraídos ficam por aqui; ignoram o conselho. Os atentos prestam atenção: um aprendizado fora da curva, onde a maioria não percebe.

A formiga traz a lição da prudência (seu preparo para receber o inverno) e a constância (pequenos avanços, dia após dia). Duas lições valiosíssimas, que talvez pessoas paguem fortunas para aprender em grandes palestras… mas vindas de forma gratuita, de uma formiga.

Quem disse que as coisas mais importantes da vida são as mais complexas?

 

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Não é sobre política

“Quando a nação tem líderes inteligentes e sensatos, ela se torna forte e firme; mas, quando a nação peca, ela muda de governo a toda hora.” (Pv 28.2)

Todos possuem influência.

Seu raio de ação pode ser pequeno ou grande. Você pode alcançar um pequeno círculo ou uma grande multidão. Pode influenciar uma grande parcela de pessoas, ou apenas algumas próximas a você.

Mas todos têm influência.

E ela pode ser usada para o bem ou para o mal. Em todo momento elevamos ou deterioramos o ambiente ao nosso redor. Podemos inspirar as pessoas a extraírem o melhor de si, ou conduzi-las a olhar apenas para si mesmas.

Muitas vezes reclamamos de ambientes onde nós mesmos somos os responsáveis por criá-los.

O texto aponta o líder como aquele que influencia uma nação. Uma posição de autoridade afeta os liderados. Uma nação com um bom líder é abençoada; líderes fracos são o seu desastre.

Não se trata apenas de política – o ponto em questão é a influência.

Quer tenhamos ou não consciência disso, o maior responsável pelo ambiente em que vivemos somos nós mesmos.

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Saída de um beco sem saída – Parte 1

As crises….

Elas podem vir como uma torrente repentina de águas, um vento impetuoso que chega sem avisar. Nos sentimos, e os minutos se transformam em horas, quando cada movimento do relógio parece denunciar a sombra que lentamente recai sobre nós…

As crises…

Algumas são imprevisíveis como um ladrão na noite, prestes a se abater sobre sua vítima. E de uma hora para a outra, passamos a lutar com um intruso que procura roubar a nossa rotina, ocupando nossa mente com sua incômoda presença. 

Algumas vezes nós mesmos provocamos as crises, e nossos pensamentos rodam em torno do “E se eu não tivesse feito, falado…“? Sim, a situação torna-se, na maioria das vezes, insuportável.

Em certa ocasião, o rei Davi, após longo período de guerras e vitórias, resolve relaxar sua rotina e, ao invés de sair à guerra como sempre fizera, resolve ficar em casa. Esse invariavelmente é o começo de muitas crises – deixamos de lado nossas responsabilidades e permanecemos onde não deveríamos mais estar. 

O lugar de Davi era na guerra, mas ele resolve ficar em casa. Do mesmo modo, quantas vezes relaxamos demais com as nossas obrigações? Deveríamos estar trabalhando, mas jogamos paciência no computador… um sofá e uma TV ao invés de estudar… achar que a escola ou a igreja tem o papel disciplinar e ensinar os filhos, enquanto estamos ocupados demais conosco mesmos… deixar para terapeutas resolverem nossos problemas conjugais, e não tomamos providência alguma, a não ser pagar o analista…

Sua atitude o levou a desejar uma mulher casada, com o qual se relacionou e teve um filho. Para acobertar o adultério, ele envia o marido dela para a frente de batalha, onde ele é morto. No entanto, a criança é acometida de grave enfermidade, e Davi busca a Deus em busca da cura. 

E buscou a Davi a  Deus pela criança; e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra: então os anciãos da sua casa se levantaram e foram ter com ele, para o levantar da terra: porém ele não quis, e não comeu pão com eles“. 2Sm 12.16-17

O que se passava na cabeça de Davi? Teria ele revivido os momentos no terraço, onde contemplava aquela mulher? Quem sabe rememorando os momentos anteriores à ordem para a trazer diante de si… ou o conselho ignorado de Joabe (ela não é sua mulher, mas de Urias…). Quantas vezes já nos sentimos assim, olhando no espelho e pensando: se ao menos…. eu não atendesse aquele telefonema, ou não retribuísse o olhar… ou não aceitasse o suborno… ou não cedesse à pressão da maioria… Se ao menos…

Mas o fato é que, depois de confrontado pelo profeta Natã (cerca de 12 meses depois do fato) lá estava ele, enfrentando a realidade da sentença de morte que pairava sobre a criança e diante dAquele que poderia realizar o milagre. 

Interessante a atitude dos servos, apreensivos sobre o que fazer com o rei. “Será que podemos ajudar em algo? Quem sabe possamos fazer alguma coisa para amenizar sua aflição” …porém o rei prontamente recusa qualquer ajuda. A dor é grande o bastante para lhe roubar o sono, a fome e a companhia de seus amigos. Natã, seu conselheiro, profeta e amigo não aparece na cena. Ninguém estava em condições de ajudar Davi, assim como também estamos muitas vezes sozinhos em momentos como esses. Por mais bem intencionadas que sejam, a ajuda que precisamos não é humana, mas divina. E precisamos encarar isso de frente, pois tal atitude pode evitar um desastre maior ainda. Aliás, o que poderia ser pior do que contemplar os efeitos de nossas falhas? Creio que perder a fé e a esperança…

Mas não vamos adiantar o assunto… vejamos o desenrolar da cena: “E sucedeu que ao sétimo dia morreu a criança; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança era morta, porque diziam; Eis que, sendo a criança ainda viva, lhe falávamos, porém não dava ouvidos à nossa voz; como pois lhe diremos que a criança é morta? Porque mais mal lhe faria. Viu porém Davi que seus servos falavam baixo e entendeu Davi que a criança era morta, pelo que disse Davi a seus servos: É morta a criança? E eles disseram: é morta” 2Sm 12.18-19

Chega então a notícia de que a criança havia falecido. Nada mais se podia fazer. Que atitude nos sobra em situações assim? O grande perigo aqui é deixar-se arrastar ainda mais para o fundo do poço. O coração pode tornar-se cheio de medo e culpa e o amanhã passa a ser um quadro negro sem perspectiva alguma. Muitos aqui tornam-se tão amargurados consigo mesmos e com a vida que chegam ao ponto de não suportarem nem mais respirar, e acabam tirando sua própria vida. Realmente, o quandro é desesperador. 

As crises. O que fazer quando nosso mundo é virado, repentinamente, de cabeça para baixo?

Veremos isso na próxima semana.

Então, vamos continuar a história de Josué

Independentemente da situação ao seu redor, sua fé em Deus foi suficiente para lhe garantir a sanidade mental e a força emocional para atravessar os próximos 45 anos de espera. Deixe-me repetir: quarenta e cinco anos! Não foram quarenta e cinco horas, dias ou semanas… mas anos! Nem vou perguntar o que faríamos ao receber de Deus uma resposta assim: “tudo bem, meu filho…vou conceder o que me pedes, mas somente daqui há quarenta e cinco anos…” Sobre isso, quero deixar aqui uma das pérolas preciosas encontradas nas Escrituras: 

“Buscai no livro do Senhor e lede; nenhuma dessas coisas falhará, nem uma nem outra faltará; porque a sua própria boca ordenou, e o seu Espírito mesmo as ajuntará”, (Is 34.16) 

O segundo aspecto a destacar encontramos no versículo seguinte de Josué: “Da idade de quarenta anos era eu, quando Moisés, servo do Senhor, me enviou a Cades Barnéia a espiar a terra; e eu lhe trouxe resposta, como sentia no meu coração”, (Js14.7) 

Onde ele guardou as promessas? Onde ele creu na Palavra? No coração. Não é à toa que Jesus nos ensina a viver, em certos aspectos, como crianças para herdar o Reino. Creio este ser um deles. Experimente fazer uma promessa a uma criança pequena… ela normalmente não relativizará, não duvidará ou pedirá garantias… apenas crerá! Diga a seu filho de 4, 5 anos que vai comprar um brinquedo e ele não ficará preocupado com os rumos da economia na Espanha! 

Lembre-se de, acima de tudo, guardar seu coração, pois é dele que saem as fontes de vida. Não do dinheiro, das posses ou de outros (Pv 4.23). Veja: um coração cheio de ira, amargura e desconfiança não irá esperar pelo tempo da promessa…ele sempre procurará a independência, o velho fazer as coisas do meu jeito mesmo. Bom, já sabemos onde isso vai dar, não é? 

O terceiro aspecto a destacar vemos aqui: “Mas meus irmãos, que subiram comigo, fizeram derreter o coração do povo; eu, porém, perseverei em seguir o Senhor, meu Deus”, (Js 14.8) 

Como falamos acima, Calebe foi perseverante e manteve sua fé, mesmo no meio de uma geração incrédula. Ao contrário da maioria, não foi na “onda” do povão. Não o vemos murmurando, reclamando, apontando o dedo para tudo e todos nem depressivo por ter tido seu sonho adiado. Ele apenas perseverou.  

E nós, estamos dispostos ao mesmo para receber a promessa? Outros em seu lugar falharam… Abraão tentou dar um jeito e arrumou uma inimizade com Seu filho Isaque que perdura até os dias de hoje… Moisés tentou ajudar um hebreu matando um egípcio e fugiu para o deserto por quarenta anos… Rebeca foi ajudar seu filho Jacó a receber a primogenitura no lugar de Esaú e nunca mais viu seu filho… 

O preço a se pagar, às vezes, é alto demais. Não tente ajudar a Deus… confiar em Suas promessas, trabalhar com o que temos em nossas mãos é o melhor que podemos fazer. E esperar, claro… o mais difícil. Os três exemplos bíblicos acima tem um ponto em comum: tentaram adiantar o plano de Deus. Definitivamente isso não dá certo… 

Por fim, é importante ressaltar os benefícios práticos em esperar em Deus e crer em Suas promessas. Vejamos o que aconteceu com Calebe: 

1) Deus renovará as nossas forças: mesmo após tanto tempo, seu ânimo e força estavam intactos. Aqueles que ousam crer são surpreendidos pela graça divina, que nos sustenta e leva sempre adiante… 

“E, ainda hoje, estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual a minha força então era, tal é agora a minha força, para a guerra, para sair e para entrar”, (Js 14.11) 

2) A companhia majestosa do Pai: não apenas nos dias de culto ou em momentos esparsos, mas ter Ele sempre conosco. São momentos de alegria? Ali está o Pai regozijando com você. Tristeza e dor? Ali está o Supremo Pastor, com Sua mão nos guiando em meio ao vale da sombra da morte. Sede de esperança? Pois Ele faz brotar de nosso interior um rio de águas vivas… afinal, o que você precisa hoje? 

“Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia; pois, naquele dia, tu ouviste que os anaquins estão ali, grandes e fortes cidades há ali; porventura, o Senhor será comigo, para os derrotar, como o Senhor disse”, (Js14.12)

Impressionante! Veja que Calebe sabe da presença de dificuldades, mesmo naquilo prometido pelo Senhor. Sim, há inimigos. Sim, eles são fortes. Sim, as muralhas são imensas… e sim, o Senhor é comigo e Ele me prometeu a vitória. Simples e poderoso. 

A hiena Hardy de todos nós – parte 1

Fim de ano chegando… já se ouve o barulho dos pratos das refeições em família, o alvoroço das crianças correndo para todos os lados e o reencontro com aqueles distantes pela geografia (às vezes, nem tão longe assim… a distância pode ser mesmo no coração… enfim….). O fato é que observamos uma mudança de “atmosfera”, algo no ar, sendo absorvida aos poucos por todos nós. Acrescente a isso as férias chegando (ou mesmo apenas alguns dias de folga) e temos alguns elementos que criam uma certa “tensão” no ar, frente à expectativa de mais um fim de ano.

É interessante observar os “ingredientes” que compõe este momento: os reencontros familiares, as refeições fartas, o relaxamento das obrigações cotidianas, o arrumar as malas e viajar e…. claro, as promessas! E quantas são, não é? Tão comuns quanto à música de fim de ano da Globo (…hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem vier…). Mas por que elas nos atraem tanto? 

Independentemente da condição real vivida por nós, sempre nos anima o fato de uma mudança de data ser um marco para mudanças (quantas dietas mesmo começarão toda segunda-feira? E porque não no domingo?). Dentre todas, a virada de ano traz consigo este “clima” gerado pela mídia e pela cultura de celebrar o novo. Obviamente, nosso inconsciente capta isso e sentimos mesmo algo diferente em nossas emoções. E o que fazemos? Promessas….

Imagino que poucos façam esta análise, mas quantos podem olhar para trás e perceber o que se tornou concreto ou ficou no campo das ideias? O que fazemos quando olhamos para dentro de nós e constatamos que ainda falta?

O ano de 2020 será um ano político, e já até nos preparamos para elas: as promessas. Talvez daí venha, somado àquelas ouvidas de amigos, conhecidos e afins, o sentimento de descrédito, daquele – sei… – ao ouvir este tipo de discurso. O motivo, claro, é a distância entre o que se fala e o que se cumpre. Porém, como cristãos, muitas vezes tratamos as promessas de homens e as promessas de Deus como iguais, desconfiando de todas. 

Na realidade, não podemos agir assim. Por mais que o conteúdo de ambas pode ser idêntico às vezes, há uma enorme diferença entre a origem de cada uma. Se não nos atentarmos a isso, deixamos de viver livres e esperançosos, confiantes na graça e soberania divinas, e passamos a andar taciturnos e rabugentos, reclamando de tudo como a hiena Hardy, famoso desenho de Hanna-Barbara dos anos 60 (eu lembro desse… é, a idade chega! Oh, céus, oh vida…)

Vejamos um exemplo bíblico de alguém que resistiu às intempéries de uma geração corrompida e perseverou nas Palavras de nosso Deus. Acompanhe:

“Então os filhos de Judá chegaram a Josué em Gilgal; e Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, lhe disse: Tu sabes a palavra que o Senhor falou a Moisés, homem de Deus, em Cades Barnéia, por causa de mim e de ti”, Js 14.6

Veja bem: este diálogo aconteceu 45 anos após Deus ter dado a promessa. Na época, a primeira geração de israelitas falhou em crer na promessa dada pelo Senhor a respeito da conquista da terra de Canaã, e somente Josué e Calebe permaneceram fiéis. Por isso, como recompensa, Deus entrega uma porção de terra a Calebe. É isto sobre isso a menção à promessa que ele faz.

A isso chama-se fé. Ele nunca duvidou… e olha que o ambiente não era dos mais agradáveis. Calebe viveu, após o fracasso daquela primeira geração, 45 anos no deserto com eles. Imagine a situação: você está lá, no meio do povo, cheio de fé. Vê com seus olhos a verdade do que Deus havia dito: a terra é boa…mana leite e mel… chega de escravidão! Adeus tijolos egípcios… é somente crer e lutar, assumir a responsabilidade de conquista e trabalhar… finalmente! 

Mas….

Você olha para o lado, e tudo o que vê são olhares de descrédito e zombaria. A maioria esmagadora não crê e prefere voltar à escravidão… suas palavras de ânimos são abafadas pela murmuração… e, estupefato, vê seu plano de vida sendo adiado por um tempo… aliás, um longo tempo.

Como você reagiria a isso? Espalharia acusações por todos os lados? Ficaria de braços cruzados, bravo com Deus? Fugiria? Afinal de contas, você crê mas, pelo atitude da maioria, é levado de volta ao deserto… logo agora que estava tão perto…

Mas não aquele homem. O que ele fez de diferente, criando o caminho para uma vida plena? Como deixar de lado o fracasso? Falaremos sobre isso na próxima semana. Até lá, aproveite para refletir sobre sua vida, e o quanto deixou de viver a gratidão, de experimentar a saciedade na alma por causa de situações externas. 

Elas continuam lá, isso é fato, mas a mudança precisa acontecer primeiro no nosso interior.

Até a próxima semana!

Quer conhecer a Deus?

Nestes tempos belicosos de polarização, com tentativas fadadas ao fracasso de encontrar qualquer tipo de salvação que não seja em Cristo, é de suma importância, para nós cristãos, não perder de vista o caminho para o Pai. 

Mas como ter um encontro real com este Deus que é, de certa forma, inacessível?

O evangelho de João afirma que “ninguém jamais viu a Deus” (Jo 1.18). No entanto, o Pai se dirige à sua criação, deseja se relacionar com ela, porém a condição caída dos homens e suas limitações os impede de ter tal acesso.

Então, em termos do Antigo Testamento, como Deus se revelava? Ele se revelava principalmente por meio de “teofanias”. Teofania é o termo usado para “manifestações de Deus”, quando Deus se revelava de maneira suportável aos homens. Como exemplos clássicos temos a luta de Jacó com o Anjo, ou quando Moisés teve um vislumbre de Deus “como homem”.

O conceito da teofania já era utilizado pelos rabinos judeus para responder à questão do Deus transcendente se revelando aos homens. Por isso, nas traduções aramaicas do Antigo Testamento, conhecidas como Targum, em muitas passagens em que Deus se revela em forma “humana” (antropomorfismo) ou coisa do gênero, geralmente se faz uso da expressão aramaica: Memra מאמרא

Memra é o termo aramaico equivalente de “palavra”, em português. Em grego temos a palavra logos λογος. Com esse termo os escribas judeus indiretamente afirmavam enfim, que sem a mediação da “Palavra” (memra), Deus jamais seria conhecido.

Da teologia do memra, desenvolveu-se a compreensão de João, de que esta “Palavra” este “Verbo” que revela o Deus Transcendente (o Pai), se faz carne e habitou entre nós (João 1:1-14). O que significa, que mesmo no AT, toda compreensão do Pai dava-se por meio do Verbo de Deus – o Messias. O conhecimento de Deus era então mediado e não imediato.

Neste contexto podemos compreender melhor as palavras de Jesus: “Ninguém jamais viu a Deus; o filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.” (Jo 1:8)

O Pai é possuidor de todos os atributos invisíveis da divindade. Ele é a fonte de tudo, dEle procedem o Filho (gerado e não criado Hb 1:5) e o Espírito Santo, dádiva do Pai, por intercessão do Filho (Jo 14:16). Dessa forma, o conhecimento do Pai é impossível autonomamente. Ninguém pode conhecê-lo sem o Filho, sem o “verbo de Deus”.

Jesus como gerado, é co-substancial (tem a mesma natureza divina) do Pai, mas seu papel e função são distintos. Importante mencionar que quando as pessoas se relacionavam com Deus, por meio do memra ou suas teofanias, não o tratavam como uma “semi-divindade” ou um “demiurgo”, mas nos termos da divindade, de Deus mesmo. Abraão, quando da visita do anjo, se dirige a Ele como YHVH. Neste sentido, Jesus, o Verbo, é algo para além de uma “teofania” (manifestação), pois nEle habita corporalmente a plenitude da divindade (Cl 2:9).

Portanto Jesus não é apenas uma “representação”. Ele é co-eterno e co-substancial com o Pai, o que significa que Ele é fundamentalmente e essencialmente Deus. Sem qualquer fragmentação de sua natureza. Porém, simultaneamente, se distingue dEle em seu papel divino. Se assim não for, fomos libertos por um “representante” e não por Deus. E temos vários textos como Filipenses (Fp 2:6-7) que deixam claro que Ele (Jesus) abriu mão (grego kenosis) de sua subsistência divina para se tornar semelhante aos homens.

Existe um “paradoxo” na trindade, mas nunca uma “contradição”. No paradoxo coisas aparentemente distintas podem conviver sem se anularem, na contradição isto não ocorre. Jesus é a porta, o caminho, Aquele que conduz o homem de volta ao jardim. E por meio de Cristo podemos, enfim, caminhar com o Pai.

A melhor notícia para o seu dia

Evangelho. Uma palavra conhecida, e por vezes, mal compreendida. Aliás, aproveitando a deixa, qual a sua percepção sobre o Evangelho?   

Se você não tem ainda um conceito bíblico formado sobre ele, então me permita falar um pouco sobre as “Boas Novas” de Jesus.

O Evangelho é simples. Tão simples, que confunde os homens mais habilidosos. Não é um Evangelho que se conforma a nossas expectativas. É uma antítese – ele confronta as nossas aspirações. O Evangelho mostra quão vulgar, quão depravadas são nossas expectativas. O evangelho toca nas dimensões mais profundas, jogando luz nas trevas e revelando toda decadência humana.

O Evangelho denuncia o “mal latente” oculto no coração humano. Desde a queda, a semente do mal encontrou lugar no íntimo do homem caído, e desde então ele se tornou capaz das coisas mais terríveis, seja na forma do holocausto na história, ou nos crimes narrados nos jornais. Sim, o homem, em seu atual estado, é mal. O mal o desumanizou. 

Entre os sintomas da queda, os mais comuns são o senso de angústia e desorientação. A indústria das medicações antidepressivas nunca vendeu tanto. Os livros de autoajuda vendem como água. Mas infelizmente, não há nada, repito, absolutamente nada no homem que possa livrá-lo desta angústia. Não há um “deus interior”, não há introspecção, não há autonomia, não há nada em sua subjetividade que possa orientá-lo. Um olhar para dentro, só causará mais angústia, terror e desespero. Pois haverá um conflito entre a reminiscência de um Imago Dei (imagem de Deus) e uma condição distorcida, uma consciência de que algo está fora do lugar. 

Também, não se achará solução em outros homens, em nenhum guru iluminado, em nenhuma filosofia pós-moderna ou uma negação teórica de toda realidade. Não! Nada disso pode orientá-lo. Pois, o mal fundamental ainda não pode ser confrontado por nenhum destes meios. 

Então surge a pergunta: há salvação para o homem? Existe luz no final do túnel?

A grande verdade é que enquanto o homem odiava a Deus, enquanto ele abominava os caminhos amorosos de Deus, Ele (Deus) o amava na forma mais extrema. Enquanto sobre o homem só repousava dura punição e juízo, nos termos mais “antiquados” e mais justos da Bíblia, Deus entregava Seu Filho.

Jesus pode ser interpretado sob várias óticas. Pode ser interpretado sob uma ótica socialista, histórica, filosófica, antropológica, mas ainda não se chegará ao fundamento de sua missão. 

Jesus foi amaldiçoado! Foi vulgarizado! Violentado! Aquilo que aconteceu na cruz não era pra Ele, era pra nós. Se há algum mérito em nós, este mérito era o absoluto juízo, sem qualquer misericórdia. Pergunta-se: então o que Jesus fez na cruz?

A cura para nossa perdição. Na cruz o processo do mal foi interrompido, o juízo foi banido pela obediência do Filho. Jesus se submeteu ao juízo ao receber tudo que merecíamos, toda violência que nós éramos dignos. Agora, segundo o beneplácito de Sua perfeita e amorosa vontade, Ele nos transportou das trevas, para o Reino do Filho do seu amor.

Sim, não vem de nós – veio dEle, absolutamente dEle. Sobre todas as racionalizações, lógicas, sobre todas as hipóteses. Dele, absolutamente dEle procede toda salvação. A Deus pertence a salvação.

Após esta tensão entre juízo e misericórdia, lágrimas se rompem, retratação, admissão de todo pecado, de toda mancha, arrependimento, simplesmente retornamos a Deus por meio da morte indigna que Seu filho recebeu em nosso lugar.

Neste ponto, grande alegria, indizível, indescritível alegria. Tudo faz sentido – as cores fazem sentido, a vida começa a fazer sentido. Encontramos graça sobre graça! Uma nova condição, um novo coração, uma nova vida.

Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fossemos chamados filhos de Deus. (I Jo 3:1).

Uma ótima semana para você, filho de Deus.

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