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Turismo arqueológico: perspectivas de preservação e desenvolvimento regional

Publicado em 24/07/2019 00h10

Turismo arqueológico: perspectivas de preservação e desenvolvimento regional

Bruna Cataneo Zamparetti  
Arqueóloga pesquisadora do Grupep

Geovan Martins Guimarães

Arqueólogo Coordenador do Grupep

O Estado de Santa Catarina abriga em seu território diversos tipos de sítios arqueológicos, referentes aos mais variados grupos humanos que ocuparam o nosso Estado. No Complexo Lagunar Sul, principalmente nos municípios de Tubarão, Laguna, Jaguaruna e Capivari de Baixo, foram encontrados importantes sítios arqueológicos, estes por sua vez têm atraído a atenção de pesquisadores e visitantes de várias partes do Brasil, bem como de outros lugares do mundo. A tipologia de sítios arqueológicos mais estudada na região são os Sambaquis, o primeiro Sambaqui brasileiro, sistematicamente escavado na década de 1950, foi o Sambaqui Cabeçuda 1, em Laguna.

Originalmente a palavra sambaqui vem da língua Tupi, significando amontoado de conchas. Esses sítios possuem forma monticular, são constituídos essencialmente de camadas sucessivas de conchas, resultado da intencionalmente dos grupos humanos que habitavam a região e manifestavam essa cultura entre 8 mil e 2 mil anos atrás. Os sambaquis estão distribuídos por toda a costa brasileira, ocupando, principalmente, regiões lagunares e áreas recortadas por baías e ilhas. Variando bastante de tamanho, os sambaquis do litoral catarinense - de acordo com a descrição feita por pesquisadores atuantes na região a partir da década de 1950 - alcançavam 70 metros de altura e 500 metros de comprimento, os maiores sambaquis do Brasil encontram-se em nosso complexo lagunar. Apesar da quantidade, variedade e magnitude dos sítios sambaquis da nossa região, estes foram intensamente minerados - pela indústria de cal - até a década de 1980, hoje sofrem impactos pela especulação imobiliária e principalmente com atividades de motocross, jeepcross, e demais atividades radicais nas áreas dos sítios.

Mas como podemos estar relacionando o rico patrimônio arqueológico regional e, a sua preservação, com a atividade turística? Se considerarmos as possibilidades de novos segmentos turísticos, o turismo cultural poderá ser uma alternativa que venha abastecer os equipamentos turísticos da região, principalmente sendo uma alternativa a sazonalidade do turismo de sol e mar. No âmbito do turismo cultural, destaca-se o turismo arqueológico, este por sua vez busca o desenvolvimento da atividade turística como agente que promova e preserve os sítios arqueológicos, divulgando a cultura e evidenciando vestígios de antigas civilizações.

O turismo arqueológico, utilizando-se dos sítios arqueológicos como atrativos, deve primar por aspectos, como: a proteção dos recursos, a valorização econômica, a participação da população local, o turismo como ferramenta de conservação e preservação. Neste segmento, o turista é motivado a se deslocar com o intuito de visitar e conhecer as particularidades de determinada cultura passada. O desenvolvimento do turismo, utilizando como atrativos os sítios arqueológicos, deve ser concebido a partir de um planejamento, para que haja uma utilização que não comprometa a integridade do local e garanta o acesso às gerações futuras, seguindo o princípio da sustentabilidade. É preciso garantir que o turismo arqueológico não seja um agente explorador do recurso, mas sim uma ferramenta de sensibilização para com estes espaços, envolvendo os vários setores da sociedade.

O turismo arqueológico exerce um papel importante na economia de vários países, como no caso da Grécia, do México, do Peru, da Itália. Contudo, no Brasil o desenvolvimento deste segmento ainda se mostra tímido. O baixo interesse é decorrente do pouco valor dado ao nosso patrimônio arqueológico, seja pelo desconhecimento acerca do seu potencial turístico, pelo insciência acerca das populações passadas, chegando até mesmo ao desinteresse de pesquisadores por esse tema. Portanto, junto ao planejamento da atividade turística em sítios arqueológicos é necessário desenvolver ações de Educação Patrimonial voltadas a sensibilização e participação ativa das sociedades circunvizinhas aos sítios, assim como aos demais moradores do município e de visitantes. O Turismo Arqueológico, quando bem ordenado, cuidadosamente planejado, utilizando-se de princípios da sustentabilidade, pode ser um vetor de desenvolvimento regional, gerando renda, auxiliando no entendimento, valorização e preservação dos sítios arqueológicos.


Você sabia?
São Raimundo Nonato, localizado no Piauí, é um dos destinos de turismo arqueológico mais conhecido no Brasil, nele, encontrara-se um museu dedicado à pré-história do homem americano e também parte do Parque da Serra da Capivara. No parque, é possível visitar uma centena de sítios arqueológicos, muitos equipados com passarelas, possibilitando o acesso ao local para pessoas com mobilidade reduzida. Em Santa Catarina, podemos destacar dois destinos, a Ilha do Campeche e a Ilha de Porto Belo, nesses locais, é possível realizar trilhas em meio a uma paisagem cultural.

Fique atento!
Durante todo o ano, a equipe do Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia (Grupep) da Unisul acompanha estudantes em visitas monitoradas aos sítios arqueológicos da região. No decorrer da aula de saída de campo, um pesquisador do grupo informa aos acerca dos construtores do sítio visitado, dando informações específicas sobre o sítio ou sítios, destacando a integração do mesmo na paisagem e formas de preservação. Toda a visita é realizada buscando o menor impacto a esses pontos arqueológicos. Para saber mais sobre as visitas e agendar um grupo, entre em contato com o Grupep pelo telefone (48) 3621-3195, ou no Instagram: @grupep.arqueologia.


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