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Tecnologia e Educação - Fernando Darci Pitt

A profissão das profissões

Publicado em 18/10/2018 00h10

Todos devem ter lembrado dos nossos mestres na última segunda-feira, quando foi comemorado o Dia do Professor, mas poucos sabem o porquê desta data em especial. Tudo começou em 15 de outubro de 1827, quando Dom Pedro I sancionou o Decreto Imperial criando o Ensino Elementar, onde declarava: “Art. 1º Em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos, haverá as escolas de primeiras letras que forem necessárias”. O decreto definia ainda como deveriam ser as escolas, a contração dos professores e quais seriam seus salários,  e dentre muitas outras determinações, até o que deveria ser ensinado: “Art. 6º Os professores ensinarão a ler, escrever, as quatro operações de aritmética, prática de quebrados, decimais e proporções, as noções mais gerais de geometria prática, a gramática de língua nacional, e os princípios de moral cristã e da doutrina da religião católica e apostólica romana, proporcionados à compreensão dos meninos; preferindo para as leituras a Constituição do Império e a História do Brasil”. Porém, somente 120 anos mais tarde em 1947, um grupo de professores de São Paulo liderados por Samuel Becker tiveram a ideia de transformar esta data em um dia de folga, reflexão e também confraternização com doces que trariam de casa, visto que o segundo semestre letivo era muito longo e cansativo. E assim, esta celebração aos poucos foi virando tradição e se espalhou pela cidade e pelo país e foi declarada feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682 de 14 de outubro de 1963. É do professor Becker também, a frase: “Professor é profissão. Educador é missão”.

Infelizmente as coisas não saíram exatamente como o Imperador decretou, pois passados mais de 170 anos observamos que, embora a educação básica tenha se tornado acessível para “todos”, não está garantindo uma formação adequada para nosso educando, e por vezes isso acaba pesando nos ombros dos nossos mais de 2,5 milhões de professores que trabalham em mais de 184 mil escolas, sendo que a maioria destas são de responsabilidade municipal e dedicadas ao Ensino Fundamental. Segundo o censo escolar de 2017, Santa Catarina conta com 44.692 educadores atuando na rede de ensino fundamental (1º ao 9º ano).

Com este número de profissionais podemos afirmar que é uma das carreiras mais numerosa de nosso país, mas nem por isso uma das mais valorizadas. O que vemos e sentimos há muitos anos, tanto em níveis municipais, estaduais e federal, é que a carreira docente não recebe a mesma atenção de outros servidores públicos. E isso não é uma virtude somente de “governos de direita” ou de “esquerda” e sim de todos, salvo algumas exceções muito pontuais neste nosso imenso país. Sendo que a maioria das promessas feitas nesta época de eleições não passam de “estelionato eleitoral”.

Falo isso com experiência, pois venho de uma família de educadores e nestas mais de 4 décadas que respiro “escola” já presenciei muitas situações, deste as mais desagradáveis até as mais gratificantes. Destaco uma em especial que aconteceu comigo no último ano, em que um ex-aluno, depois de cinco anos, me enviou um “WhatsApp” com a capa do seu TCC e me agradecendo por tê-lo ajudado nesta conquista.

O que precisamos de fato é que a Educação deixe de ser um discurso do dia 15 de Outubro ou de campanhas eleitorais e passe a ser uma prioridade concreta todos os dias do ano. Para isso, precisamos que toda a sociedade se empenhe para tal, educadores, pais, estudantes e também o Estado Brasileiro.

É triste comemoramos o dia da “Profissão que forma todas as demais Profissões”, quando pesquisas indicam que apenas 3,3% dos jovens com 15 anos querem ser professores na sua vida adulta. Isso é resultado da desvalorização da categoria, além do estresse sofrido diariamente e em alguns casos até mesmo os riscos a integridade física de nossos docentes. Precisamos mudar este cenário.

Nós, educadores, também precisamos fazer a nossa parte garantindo que nossas reivindicações cheguem até nossos representantes, e isso vai muito além de greves ou passeatas. Temos que ter ciência de que podemos, de fato, mudar a Nação.

E como podemos promover esta grande mudança? Muito mais do que apenas sermos “bons” professores em sala de aula também precisamos ser referências para nossos alunos, ajudá-los a alcançar seus objetivos, ou como diriam alguns usando um “termo da moda”, sermos “mentores” destes educandos. E ainda, incentivá-los a serem pessoas ativas na sociedade, quem sabe até mesmo os políticos de amanhã, incutindo desde cedo neles a necessidade da honestidade, integridade e trabalho pelo coletivo.

Nós podemos mudar o Brasil, talvez leve algumas gerações, mas podemos SIM!


Vamos refletir?
Você, pai, que lembra de levar um chocolate para o educador de seu filho neste dia, o que está fazendo para melhorar a educação de nosso Brasil? Se dispões a refletir conosco sobre algumas questões?
• Qual foi a última vez que foi até a escola do seu filho? E conversou com a direção e os professores?
• Você fica entusiasmado quando ele traz atividades de pesquisa para fazer em família, ou “esbraveja” a escola por lhe dar mais trabalho nos fins de semana?
• Como você se comporta quando a escola te chama para uma reunião com a direção? Atende o chamado ou ignora por imaginar que será para falar sobre alguma coisa errada?
• Você demonstra interesse pelo que seu filho está aprendendo na escola?
• E o mais importante, você tem ensinado seu filho a respeitar o professor e todo corpo técnico da escola, e vê-los como guias nesta longa e prazerosa jornada do aprendizado?
Se quisermos realmente mudar a educação no Brasil, vamos mudar primeiro a forma que nós e nossos filhos enxergam e participam das atividades escolares.

Uma inspiração
Uma ótima inspiração é o filme “O Aluno - Uma lição de vida”, de 2010, que conta a história verídica de Kimani Maruge Ng’ang’a, um Queniano de 84 anos que luta contra todos os desafios para voltar à escola e aprender a ler e escrever e, para isso, conta com a ajuda de sua professora. Assista e se emocione.


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