Zahyra Mattar
Tubarão

Fiscais do Conselho Regional de Odontologia (CRO) confirmaram ontem e na segunda-feira três denúncias da atuação de práticos feitas ao órgão recentemente. Dois casos são de Laguna. O outro de Capivari de Baixo. O primeiro lacre ocorreu segunda-feira à tarde, no bairro Portinho, em Laguna. Tratava-se de um laboratório de próteses odontológicas, cujas primeiras denúncias foram feitas em 2005. O proprietário era filho de um prático já falecido.

O outro consultório lacrado em Laguna ficava no centro da cidade. A operação foi feita na manhã de ontem. O local também era uma espécie de laboratório de próteses dentárias. “O protético somente presta serviço para o cirurgião dentista. Mas também precisa de formação para atuar na área”, destaca o coordenador de fiscalização do CRO, Edson Carvalho. À tarde, em Capivari de Baixo, outro prático teve o consultório lacrado.

Ele atuava há alguns anos em uma casa de madeira, sem as mínimas condições de higiene, no bairro Caçador. No momento da abordagem, o prático atendia a um paciente. Uma outra esperava sua vez. “As pessoas não têm noção do perigo que correm ao buscar estes falsos profissionais”, alerta Edson, ao mostrar que o homem também aplicava medicamentos e anestesias nos pacientes, o que é proibido por lei.

Em 2004, o CRO mapeou todos os práticos em atuação em Santa Catarina, cerca de 190 pessoas. Este profissionais não podem atuar como dentistas desde 1942, quando o Código Penal foi criado. “Tudo é fruto da omissão dos poderes públicos, especialmente da vigilância sanitária. A falta de informação da população e a falta de uma punição adequada para estes falsos profissionais e para as empresas que vendem materiais odontológicos são o maior problema que temos para fechar estes locais”, aponta o coordenador.