Maycon Vianna
Pedras Grandes

A assessoria de imprensa da superintendência do Banco do Brasil de Santa Catarina confirmou ontem que o Besc já começou a ressarcir o dinheiro dos correntistas que, comprovadamente, sofreram prejuízos em suas contas-poupança. O Banco do Brasil também apresentou notícia-crime à Delegacia de Polícia de Pedras Grandes em relação às irregularidades praticadas na agência do Besc da cidade.

No dia 20 do mês passado, o BB teve conhecimento sobre possíveis problemas em movimentações financeiras de clientes da agência do Besc da cidade. Desde o fim de março, o Banco do Brasil enviou uma equipe multidisciplinar à agência para analisar, apurar os fatos e orientar os clientes.

Apesar da informação do Banco do Brasil, nenhum correntista que teve prejuízos financeiros foi encontrado para dar explicações à imprensa. “Se alguém já recuperou o dinheiro, não deram as caras. Tenho um valor de R$ 30 mil para ser ressarcido pelo banco, já fiz boletim de ocorrência, mas até agora não soube de nada do dinheiro”, declara o agricultor Carlos Alberto Silva.

O delegado da Central de Polícia Civil de Tubarão, Marcos Ghizoni, um dos responsáveis pelas investigações, afirma que as primeiras pistas surgiram após os depoimentos de 60 pessoas, entre clientes e funcionários do Besc no município. “Tratamos esse caso inicialmente como furto de dinheiro mediante fraude”, diz.

Trabalho investigativo pode durar dias

A assessora de imprensa do BB no estado, Cristine de Barros, confirma que os auditores avaliam cada caso dos clientes. “Foram dezenas de lesados, nem todos estão com o dinheiro. Temos contato com os policiais civis e também com o grupo que analisa o problema do suposto golpe. Enfim, é um trabalho que pode durar alguns dias, mas, com certeza, todos terão uma resposta”, afirma Cristine.

O delegado Marcos Ghizoni, da Central de Polícia Civil de Tubarão, confirma que as investigações prosseguem até que haja uma resposta definitiva do que houve com o dinheiro dos correntistas. “Ainda não é possível precisar quantas pessoas exatamente tiveram prejuízos. Pelo número de boletins de ocorrência, mais de 250 clientes foram lesados. O trabalho da polícia segue em um caminho correto e logo teremos uma definição”, explica o delegado.

Uma prática utilizada por funcionários do banco quando os clientes levavam o dinheiro para ser depositado nas contas-poupanças chamou a atenção dos investigadores. A transação era redigida a mão nas cadernetas de controle dos poupadores, muitas vezes sem a ficha autenticada no caixa. Várias pessoas também relataram não ter conseguido o extrato de movimento e saldo das contas. “Sempre havia alguma desculpa para não fornecer esse documento ao cliente, que confiava nos funcionários”, ressalta.