Maycon Vianna
Tubarão

O caso do sumiço de dinheiro das contas-poupanças da agência do Besc de Pedras Grandes teve dois dos principais suspeitos presos ontem e mais duas pessoas envolvidas suspeitas de serem coautoras do crime. O ex-gerente geral do banco, Edílson Vieira de Souza, e o ex-gerente administrativo, Márcio Martins, foram detidos por suposto envolvimento com o rombo milionário. Edílson foi preso por volta das 7 horas, em sua casa de veraneio na Praia de Itapirubá, em Laguna.
Márcio Martins foi o segundo detido pelos policiais civis, quando estava em uma clínica médica em Palhoça, por volta das 10 horas.

A Polícia Civil começou as investigações há cerca de 20 dias, quando o fato veio à tona em Pedras Grandes e ganhou repercussão nacional. Centenas de correntistas registraram boletins de ocorrência. Eles queriam saber o paradeiro do dinheiro aplicado nas poupanças. “Mais de 360 boletins foram registrados em uma unidade móvel instalada pela Polícia Civil para atender os correntistas de Pedras Grandes. Conseguimos ouvir 63 pessoas e abrimos inquérito policial. Depois, chegamos aos principais suspeitos”, relata o delegado Marcos Ghizoni, da Central de Polícia Civil de Tubarão.

Segundo apurou a equipe de investigação, os bens das pessoas detidas não condizem com a renda que declararam à Receita Federal.
Foram apreendidos pelos policiais civis R$ 60 mil na residência de veraneio de Edílson, além de quatro veículos avaliados em mais de R$ 250 mil, de familiares de Edílson.

Desfalque pode ser de R$ 10 milhões

Os clientes do Besc de Pedras Grandes seguem os protestos contra o sumiço de dinheiro depositado em poupanças da agência. Após a prisão dos suspeitos, ontem, estima-se que o prejuízo total chegue a R$ 10 milhões.
Uma das vítimas do ‘sumiço de dinheiro’ foi o jovem Elisandro Pereira, 25 anos. Quando ele foi tirar o saldo da conta no caixa eletrônico, teve a surpresa: não tinha mais dinheiro.

“O valor depositado era de R$ 38 mil. Espero que o banco reembolse esta quantia, porque, pelos rumores que escutamos, passaram a mão na grana e fugiram”, reclama Elisandro.
O comerciante Manoel Niraldo Marcon, 49, soube na tarde do dia 24 do mês passado que todo o seu dinheiro depositado tinha desaparecido. “Era a economia de uma vida inteira. Fui ver a poupança e, quando percebi, não tinha a aplicação de R$ 70 mil”, lamenta Manoel.

No fim de março, os correntistas começaram a desconfiar do problema. Um aposentado de Pedras Grandes que não quis se identificar tinha depositado aproximadamente de R$ 400 mil. O saldo no mês passado era de R$ 70,00. “Isso é um absurdo. Ninguém toma uma providência. É um golpe que ocorre há pelo menos uns quatro meses. Em dezembro do ano passado, já tinha percebido algo errado, mas ontem, quando fui ver o saldo da conta, levei um susto. Estava quase zerado”, detalha.

Dupla no presídio
Os ex-funcionários da agência do Besc de Pedras Grandes Edílson Vieira de Souza e Márcio Martins foram encaminhados, no fim da tarde de ontem, para uma cela do Presídio Regional de Tubarão. No período de cinco dias, eles estarão à disposição da Polícia Civil para auxiliar nas investigações. “Ambos mostraram-se bem solícitos e prontos para ajudar a polícia. Se considerarmos necessário, pedimos à justiça o mandado de prisão preventiva”, detalha o delegado.
A esposa e a cunhada de um dos envolvidos também foram detidas ontem. O marido de uma das suspeitas foi preso em flagrante após ser encontrada uma arma em sua residência. No total, cinco pessoas foram presas na ‘Operação Saldo Devedor’.

Crimes
• Formação de quadrilha ou bando (art. 288 – Código Penal)
Associação de três ou mais pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes.
Pena – reclusão, de um a três anos.

• Peculato (art. 312 – Código Penal)
O crime de peculato é a subtração ou desvio de dinheiro ou bem público, para benefício próprio ou de outra pessoa, cometidos por um funcionário público.
O crime, porém, pode ser atribuído a pessoas que não ocupam cargos públicos.
Pena – reclusão de dois a 12 anos.

Entrevista – Delegado Marcos Ghizoni

‘Os bens não condizem com a renda’
O delegado Marcos Ghizoni, da Central de Polícia Civil de Tubarão, é o responsável pelas investigações da ‘Operação Saldo Devedor’.

Notisul – Como a polícia chegou até os suspeitos?
Marcos – Os bens das pessoas detidas não condizem com a renda que declararam à Receita Federal.

Notisul – Quanto tempo eles ficarão presos?
Marcos – Em um primeiro momento, eles ficarão em prisão temporária no Presídio Regional de Tubarão por cinco dias. Depois, dependendo do caso, posso pedir à justiça a prisão preventiva por mais 30 dias.
Notisul – Se for comprovada a culpa, que tipo de crimes eles responderão?
Marcos – Podemos incluir alguns crimes, mas creio que os dois principais são formação de quadrilha e peculato.

Notisul – Existe mais gente envolvida?
Marcos – Possivelmente. As investigações continuarão e podem ser comprovadas mais pessoas. São quatro pessoas suspeitas de envolvimento presas até agora.