Rafael Andrade
Tubarão

O governador Leonel Pavan discursava tranquilamente ontem, durante a cerimônia de inauguração do setor do regime semiaberto do novo Presídio Regional de Tubarão, quando foi pego de surpresa. Representantes do Conselho Comunitário do bairro Humaitá de Cima ergueram faixas criticando a intenção do estado em manter uma cadeia após a transferência dos homens para o novo prédio.

Em uma das faixas, estava o pedido: “Praça sim, Presídio Feminino Não”! O diretor do conselho comunitário, Clodoaldo de Medeiros, reitera que os quase oito mil moradores do bairro querem a construção de uma praça no local onde hoje fica o presídio. “Por enquanto, a manifestação é tranquila. É inadmissível manter uma cadeia feminina no local”, acrescenta Clodoaldo.

A ideia do estado em manter as mulheres encarceradas no Humaitá foi publicada com exclusividade pelo Notisul na edição do dia 12 de julho deste ano. “É certo que a região vai ter um presídio feminino e a melhor opção é Tubarão. Como já existe o prédio do atual presídio, devemos reaproveitá-lo e adequar para as detentas”, reforça o secretário de segurança pública, André Luis Mendes da Silveira.

“O estado tem autonomia e só depende de si para decidir se vai manter uma cadeia no Humaitá de Cima ou desativar definitivamente. Vamos dialogar com o prefeito de Tubarão, Manoel Bertoncini, e com a comunidade. A decisão deve ser tomada somente no próximo ano”, prevê Pavan.

“Praça sim, Presídio Feminino não”

O protesto pacífico feito por representantes do bairro Humaitá de Cima, na manhã de ontem, na inauguração da ala do regime semiaberto do novo complexo carcerário do Presídio Regional de Tubarão, rendeu mais adeptos à causa.

Um empresário morador do bairro Bom Pastor, quase vizinho do novo complexo, lembra que os representantes do estado sempre afirmam que é bom ter um setor de segurança próximo, pois teoricamente os índices de criminalidade na região diminuem.

“Mas pergunte ao governador Leonel Pavan se ele gostaria que um presídio estivesse instalado ao lado de sua casa, no Palácio da Agronômica, em Florianópolis. Acho que não né!”, avalia o empresário Ademir Shollecker.