A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou por exames de DNA que o corpo encontrado na última quinta-feira (5) em Palmeiras, na Bahia, é do menino Bernardo, de 1 ano e 11 meses. O pai do menino, Paulo Roberto de Caldas Osório, de 45 anos, confessou que sequestrou, matou e jogou o corpo da criança em uma rodovia.

O corpo do menino foi localizado por volta das 15h, na região de Barreiro, Povoado Campos de São João, zona rural do Município de Palmeiras, na Bahia. A criança vestia uma calça azul listrada e blusa branca de manga longa. A cadeirinha em que a criança estava também foi encontrada no local.

A avó do garoto viajou com os policiais até a região baiana para reconhecer o corpo. Porém, como ele foi encontrado em avançado estado de decomposição, não foi possível afirmar que era Bernardo.

Amostras biológicas do corpo encontrado na Bahia foram trazidas hoje (8) a Brasília pela equipe da Divisão de Repressão a Sequestros, chefiada pelo delegado Leandro Ritt. O material foi prontamente para o Instituto de Pesquisa de DNA Forense para a realização dos exames periciais.

Utilizando de técnicas avançadas de genética forense, os exames foram concluídos em menos de seis horas, inclusive com o laudo já redigido, confirmando a identificação genética.

“Com esse laudo, confirmamos que o pai agiu sozinho e criança foi morta ainda dentro de casa. O Paulo mentiu durante todo esse tempo, dando informações erradas sobre o corpo. O objetivo dele era matar e fazer com que os familiares nem pudessem enterrar a criança. Prova disso é que o corpo estava em um local completamente diferente do que o indicado”, informou o delegado Leandro Ritt.

Ainda segundo o delegado, Osório tinha a intenção de matar a criança e planejou o crime. Buscou o filho na creche na Asa Sul, em Brasília e misturou 4 comprimidos de remédio, utilizado para dormir, no suco de uva do garoto. Além disso, trocou a roupa do menino antes de jogá-lo na mata. O objetivo seria dificultar o reconhecimento do corpo.

“Não há dúvidas de que ele queria matar. A dose foi letal. A avó materna disse que as roupas que o corpo estava não eram do garoto, o que indica que o plano inicial era que de o menino nunca mais fosse encontrado”, apontou o delegado.

Perfil psicopata, segundo a polícia 

Ritt diz acreditar que o suspeito seja um psicopata. Segundo o delegado, durante horas de depoimento, o homem não apresentou nenhum arrependimento. Osório ficou preso por 10 anos após matar a própria mãe. Ele ficou na ala psiquiátrica do presídio e foi colocado em liberdade. Aos policiais, o homem contou que a mãe chegava de uma caminhada no parque. Ele teria pensado que se tratava de um ladrão e a golpeou a facadas. 

Depois, enforcou-a com uma corda e ateou fogo no corpo. “Ele é extremamente frio. Pra nós, o crime foi premeditado. Paulo disse que só iria viajar com a criança e que o dopou para que ele dormisse. Mas quem viaja com os filhos prepara malas, leva roupas, brinquedos. Ele não levou nada. Até esqueceu a televisão da casa e as luzes ligadas”, concluiu Ritt.

Relembre o caso 

Osório foi preso na última quarta-feira (4) na região de Alagoinha, na Bahia, suspeito de sequestrar e matar o próprio filho de 1 ano e 11 meses. O bebê era fruto de um relacionamento dele com a advogada Tatiana da Silva, 30. 

Os dois foram casados por três anos e se separaram assim que a criança nasceu. Na sexta-feira (29), o suspeito buscou o filho em uma creche, na região da Asa Sul, centro de Brasília. O combinado era que o pai devolveria o menino no mesmo dia. Mas, por volta de 20h, ele enviou uma mensagem para Tatiana, informando que iria fugir com a criança.

“Ele [Osório] sempre foi tranquilo e presente na vida do meu filho. Era louco com o Bernardo. Meu filho também ama muito o pai. Como nunca tive problema, o Paulo pegava meu filho quando queria na creche e depois devolvia. Na quarta-feira passada, por exemplo, ele buscou o menino e devolveu normalmente”, disse a advogada ao UOL. Após receber a mensagem, a mulher procurou a delegacia para registrar boletim de ocorrência. Na noite de domingo, o homem voltou a entrar em contato dizendo que ela nunca mais iria ver o filho. A mulher acredita que a depressão do ex-marido tenha feito ele cometer o sequestro.