Tubarão

Os quatro policiais militares de Tubarão que aparecem num vídeo dizendo a moradores de uma residência que não há problema em matar juiz e atirar em fóruns e delegacias foram ouvidos pela Polícia Civil na quarta-feira (22).

Segundo o delegado André Crisóstomo, que investiga o caso, os militares negaram as declarações. Até esta sexta (24), o inquérito deve ser concluído. Entretanto, ele ainda não sabe se os policiais serão indiciados. “São quatro policiais que aparecem no vídeo e não dois como foi divulgado no início. Apesar de alegarem na gravação um atentado ao carro de um deles, nada ficou provado, não apresentaram boletim de ocorrência ou fotos”, disse Crisóstomo.

A Polícia Militar acredita que a filmagem seja de setembro, período em que o Estado registrou ataques a prédios públicos. Os policiais fardados teriam entrado na residência porque o carro de um deles teria sido arranhado. “Estamos investigando os ataques ao fórum e ao carro de um deles”, afirmou o delegado.

Declarações filmadas

“Vocês querem atirar em fórum, querem atirar em delegacia, em fórum, faço até questão que vocês atirem, quer matar juiz, aquele (palavrão) mata, não tem problema nenhum. Agora, não mexe com a gente”, diz um dos militares no vídeo.

O outro PM continua: “Agora eu quero saber quem foi que arranhou meu carro?” “Ô senhor, pelo amor de Deus cara, nunca mexi…”, responde um dos homens. O PM ameaça: “Se eu não souber, isso que aconteceu hoje vai acontecer amanhã”, afirma.

Negação e silêncio

Conforme Crisóstomo, que é da Divisão de Investigações Criminais de Tubarão, além de negar os fatos, em alguns momentos os policiais ficaram em silêncio.
“Nos vídeos, eles dizem saber que era o morador que estava orquestrando os ataques e que foi ele que mandou arranharem o carro. Mas, na delegacia, todos os policiais militares disseram não ter nenhuma informação sobre os fatos. Mesmo quando questionados sobre o que diziam saber no vídeo, aqui na delegacia negaram tudo e não forneceram nada”, relatou.