#ParaTodosVerem Na foto, um homem empilha blocos marcados com o cifrão, em alusão à pirâmide financeira
- Foto ilustrativa | Divulgação

A pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), 13 pessoas que operavam um esquema de pirâmide financeira a partir de Balneário Camboriú, por meio da empresa Go Capital, estão proibidas pela Justiça de exercer atividade relacionada à captação de investidores e valores e também impedidas de manter qualquer contato com as testemunhas ou vítimas ouvidas no procedimento. O prejuízo total estimado é de R$ 7 milhões.  As medidas cautelares foram deferidas pelo Poder Judiciário ao receber a ação penal ajuizada pela 6ª Promotoria de Justiça de Balneário Camboriú. A decisão do Juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca também manteve a suspensão das atividades da empresa Go Capital, deferida liminarmente na Operação Criptomoeda, desenvolvida em conjunto pela 6ª Promotoria de Justiça e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) em junho de 2020.

Entre os 13 denunciados, há três pessoas da região. Conforme o MP, Rodrigo Gonzaga Neubert, Alex Alexandre de Oliveira e Lucas Saccon atuavam em Criciúma, Morro da Fumaça e Jaguaruna – veja quem são os outros indiciados abaixo. De acordo com a 6ª Promotoria de Justiça, a empresa apresentava-se como suposta investidora de criptomoedas, Bovespa, Forex, Opções Binárias e Bolsa dos EUA, mas, na verdade, operava um esquema de pirâmide financeira, movimentado valores em dinheiro e criptomoedas, além de veicular propaganda enganosa com a divulgação de informações falsas, com a promessa de altíssimos rendimentos sobre o capital investido. Com a construção de identidade visual sofisticada e instalação de escritório luxuoso, a fim de transparecer solidificação e credibilidade no mercado, a empresa teria atraído as vítimas com promessas de lucros exorbitantes, mascarando a constituição de pirâmide financeira por meio de um plano de benefícios pela indicação de novos “clientes”.

Para burlar os órgãos fiscalizadores, os réus teriam dissimulado a origem de valores e ofuscavam a atenção das autoridades para o esquema utilizando criptomoedas, neste caso as bitcoins, como meio de investimento, por não serem consideradas valores mobiliários, e por não terem regulamentação prevista pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e nem pelo Banco Central. As 13 pessoas denunciadas foram acusadas pelo Ministério Público de crime contra as relações de consumo (propaganda enganosa), de crime contra a economia popular (pirâmide financeira), de apropriação indébita, de lavagem de dinheiro e de integrar organização criminosa. A denúncia do MPSC foi recebida pela Justiça, e os acusados passam a ser, formalmente, réus na ação penal, na qual terão amplo direito à defesa e ao contraditório.

Quem fazia parte do esquema  

  • Daniel Cruz Pereira: atuava como presidente, responsável pela administração e operações financeiras administrativas.
  • Alexandre Gonçalves Padilha: atuava como trader (operava parte dos valores arrecadados), por meio de operações com bitcoins e no mercado Forex (proibido no país).
  • Carlos de Oliveira Florentino: Ocupava a função de “diretor de expansão global” que, na prática, implicava na divulgação da empresa por meio da realização de convenções e treinamentos em todo o território nacional para atração de investidores e formação de líderes.
  • Mara Rubia Serrão: advogada e amiga pessoal de Daniel Cruz Pereira. Prestou orientação jurídica desde a fundação da empresa, a fim de mascarar a ilicitude do negócio.
  • César Augusto de Camargo Cardon: Indicado para ocupar o cargo de diretor, mas na prática era apresentado com mero funcionário. Braço direito de Daniel, prestava atendimento aos investidores e participava ativamente das atividades da Go Capital.
  • Genilson Sampaio de Almeida: líder de rede para captação de investidores e difusão da pirâmide financeira. Considerado um dos maiores líderes de pirâmides financeira do país, com rede superior a 15 mil participantes, que o acompanham em empresas similares. Já havia atuado como líder em empresas similares.
  • Leonir Alba: líder de rede para captação de investidores e difusão da pirâmide financeira. Considerado um dos mais atuantes da empresa.
  • Fabio Santana Borges: líder de rede para captação de investidores e difusão da pirâmide financeira na região de Cuiabá, no Mato Grosso. Considerado um dos líderes mais atuantes da empresa. Já havia atuado em empresas similares.
  • Márcio Antonio Percicotti: participou juntamente com Daniel Cruz Pereira, Alexandre Gonçalves Padilha, César Augusto de Camargo Cardon e Carlos de Oliveira Florentino da criação da empresa, tendo sido indicado para ocupar o cargo de diretor. Participava ativamente das convenções e treinamentos em todo o território nacional. Já havia atuado como líder em empresas similares.
  • Jonathan Rodrigues: indicado como líder de rede para captação de investidores e difusão da pirâmide financeira na região de Taió, no Vale do Itajaí. Já havia atuado como líder em empresas similares. Recebia valores em espécie.
  • Rodrigo Gonzaga Neubert: indicado como líder de rede para captação de investidores e difusão da pirâmide financeira na região de Criciúma e Jaguaruna, no Sul do Estado. Já havia atuado como líder em empresas similares. Recebia valores em espécie.
  • Alex Alexandre de Oliveira: Líder de rede para captação de investidores e difusão da pirâmide financeira na região de Criciúma e Morro da Fumaça, no Sul do Estado. Já havia atuado como líder em empresas similares.
  • Lucas Saccon: Atuou como líder de rede para captação de investidores e difusão da pirâmide financeira na região de Criciúma e Morro da Fumaça, no Sul do Estado. Participante ativo dos eventos e treinamentos para divulgação da empresa.

Fonte: Ministério Público de Santa Catarina
Edição: Zahyra Mattar | Notisul

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