Rafael Andrade
Tubarão

O inquérito da Polícia Civil sobre morte do eletricista Ricardo Cypriano Diomar, sob responsabilidade do delegado Giovani Floriani, chegou às mãos do promotor de justiça Sandro Ricardo, da comarca de Tubarão, ontem, após 20 dias na distribuição do fórum.

O promotor avalia o inquérito e os depoimentos dos envolvidos, entre policias militares, familiares e amigos de Ricardo.
O eletricista morreu no dia 7 de setembro, depois de ficar internado na UTI do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), de Tubarão, por dez dias, com politraumatismo, após ser supostamenten agredido por policiais militares. Para apurar o caso, foram abertos dois inquéritos: um na Polícia Civil e outro na Polícia Militar. O exame cadavérico revela que Ricardo teve trauma encefálico, traumatismo cervical e traumatismo na sexta vértebra.

O promotor poderá declinar o caso à justiça comum ou à justiça militar. O processo pode ser definido como lesão corporal seguida de morte, homicídio culposo (sem intenção de matar), ou homicídio doloso (com intenção). “Acredito que o caso será julgado na justiça comum, mas, como há militares envolvidos, preciso aguardar a decisão da promotoria”, relata a advogada da família de Ricardo, Luana Vieira.

Segundo Luana, existe um crime de abuso de autoridade e procedimento incorreto de abordagem. “Os policias possuem técnicas de algemação. Sendo assim, eles estavam em um número expressivo de policias para conter Ricardo, que estava só. Mesmo alterado, ele seria contido e algemado facilmente pelos militares”, avalia a advogada.

Depoimentos

Pelos depoimentos dos policias (17 PMs participavam da operação), os ferimentos mais graves do eletricista foram resultantes de um tombo, quando ele era dominado e encaminhado à viatura da PM. Os militares ainda mencionam que moradores da região do ‘Beco do Quilinho’ estavam fora de controle, inclusive, querendo intervir na ação policial. Outras guarnições foram acionadas para controlar a situação no local.
A família do eletricista alega, em depoimento, que Ricardo foi agredido por policiais militares, no dia 28 de agosto, durante a realização da Operação ‘Choque de Ordem’.

Enquanto o caso não tem um fim, a família do eletricista tenta conviver com a saudade. “Não é fácil para uma mãe e um pai lidar com a perda de um filho, ainda mais nesta situação. Meu filho não era bandido, era um trabalhador”, lamenta Delir Cypriano Diomar, mãe de Ricardo.