A mãe da grávida que foi agredida por um policial militar durante uma abordagem, no bairro Santo Antônio, em São José do Rio Preto (SP), disse ao G1 na manhã desta quarta-feira (5) que está revoltada com o que aconteceu com a filha de 23 anos. Um vídeo mostra a ação do policial

A jovem, que está grávida de seis meses, passou por exames no Hospital de Base de Rio Preto e recebeu alta no começo da tarde desta quarta-feira (5). Segundo a mãe, ela e a criança estão bem. A vítima está com o olho machucado por causa das agressões.

“Ela mesmo gritava que estava grávida e ele dizia que não estava nem aí, colocando o joelho nela, isso é que mais revolta. Ela no chão, ele em cima ainda deu um murro. Isso é revoltante”, diz a mãe.
O Hospital de Base informou que, tanto a mãe, como a filha, estão bem, mas que a mulher irá passar por exames por causa da lesão no rosto.

De acordo com a mãe, a filha estava indo comprar pão na padaria e, quando saiu do local, viu um policial batendo em um menino, o fazendo mastigar drogas. A mãe disse que ele falava para o menino engolir a droga, bateu nele, e ela pediu para parar e começou a gravar.

“O outro policial a viu gravando e avisou o policial (que a agrediu). Ele pediu o celular e ela disse que não iria entregar porque sabia dos direitos dela. Ele foi para cima dela, tomou o celular e a agrediu”, afirma.

A mãe disse que a filha está com medo do que aconteceu, mas que pretende fazer um boletim de ocorrência quando ela tiver alta do hospital. O celular da filha, segundo ela, ficou com os policiais.

“Ela está com medo, parece que ele fez com outras pessoas, fez com minha filha. Se as pessoas não tivessem gravado, não tivesse publicado, com quantos mais ele ia fazer isso. Vai ter Justiça, pela minha filha e por outras que ele deve ter agredido”, afirma.

PM registrou boletim

Segundo o boletim de ocorrência, registrado pelos policiais, a mulher de 23 anos foi rendida após intervir em uma abordagem que flagrou um adolescente com porções de maconha.

Após ser detida, ela foi levada para o hospital. Os dois policiais que estavam na ocorrência foram afastados das ruas para a investigação do caso, segundo a PM.

Nas imagens, é possível ver o policial rendendo a mulher, que está deitada no chão. Ele pressiona a barriga dela com um dos joelhos e a agride com tapas no rosto.

Ainda é possível ver que moradores que presenciam a agressão pedem para o policial parar, dizendo que a mulher está grávida. Em seguida, ele diz que ela está presa e as testemunhas voltam a pedir para ele parar de pisar na barriga dela.

Ocorrência de drogas

De acordo com o boletim de ocorrência, policiais alegaram que faziam patrulhamento de rotina pelo bairro quando viram um adolescente entregando um objeto para um homem e decidiram abordá-los. Durante revista, porções de maconha foram encontradas com o adolescente.

Enquanto os policiais questionavam o adolescente, a mulher grávida teria ofendido os policiais com xingamentos, motivo pelo qual os policiais decidiram abordá-la.

Ao se aproximar, ainda conforme o boletim de ocorrência, a mulher teria agredido um dos policiais. Eles informaram, segundo o registro, que houve necessidade do uso de técnicas e força para jogá-la ao solo e imobilizá-la.

Outras viaturas foram chamadas e compareceram para dar apoio. Após a mulher ser algemada, ela disse que estava grávida de 22 semanas e, por isso, os policiais a levaram para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Posicionamento

O Comando do 17º Batalhão informou que já foram tomadas providências para o devido registro dos fatos que serão devidamente apurados, através do procedimento legal adequado. Os dois policiais que estavam na abordagem foram afastados das ruas para a investigação do caso.

Ainda em nota, a PM afirma que é de interesse a correta apuração de qualquer fato relativo aos procedimentos realizados.

O governador João Doria (PSDB) publicou uma nota nas redes sociais afirmando que recomendou o imediato afastamento do policial militar flagrado durante abordagem a uma mulher grávida.