O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ao possível adiamento do julgamento da suspeição de Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa do petista argumenta no pedido que o ex-juiz atuou com parcialidade no processo que culminou na prisão de Lula.

O STF pode adiar o julgamento, previsto para ocorrer nesta terça-feira (25/06/2019). O ministro Gilmar Mendes concluiu que não haverá tempo de debater o processo, o 12° na lista a ser votado em sessão da 2ª Turma. No entanto, a assessoria não confirmou o adiamento e o habeas corpus continua na lista da 2ª Turma.

Lula enviou uma carta ao ex-chanceler Celso Amorim, em que defende que a invalidação dos processos não anula a Operação Lava Jato. “Tudo que espero é que a justiça finalmente seja feita. Quero é ter direito a um julgamento justo, por um juiz imparcial, para poder demonstrar com fatos que sou inocente. Quero ser julgado dentro do processo legal, com base em provas, e não em convicções”, escreveu o petista.

Para Lula, a decisão de adiar o julgamento é influenciada por “muita gente poderosa, daqui (Brasil) e de outros países”. Segundo o petista, a intenção de impedir dá na mesma problemática para quem “está preso injustamente”. “Alguns dizem que ao anular meu processo estarão anulando todas as decisões da Lava Jato, o que é uma grande mentira, pois na Justiça cada caso é um caso”, afirmou.

A discussão sobre a parcialidade de Moro foi interrompida por um pedido de vista de Gilmar Mendes, que liberou o recurso para julgamento no dia 25 de junho. O pedido do HC foi apresentado pela defesa do ex-presidente Lula antes do escândalo das mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil. Os advogados defendem que o ex-juiz da Lava Jato foi parcial ao condená-lo.

No texto, Lula fala em liberdade. “Todos os dias acordo pensando que estou mais perto da libertação, porque o meu caso não tem mistério. É só ler as provas que os advogados reuniram: que o tal triplex nunca foi meu, nem de fato nem de direito, e que nem na construção nem a reforma entrou dinheiro de contratos com a Petrobras”, reclamou o ex-presidente.

“Quero ser julgado pelas leis do meu país e não pelas manchetes dos jornais. A pergunta que faço todos os dias aqui onde estou é uma só: por que tanto medo da verdade? A resposta não interessa apenas a mim, mas a todos que esperam por Justiça”, completou.

Ele emenda. “Meus advogados recorreram ao STF para que eu tenha finalmente um processo e um julgamento justos, o que nunca tive nas mãos do Moro. Muita gente poderosa, daqui e de outros países, quer impedir essa decisão, ou continuar adiando, que dá no mesmo para quem está preso injustamente”, conclui.

Lula encerra o texto ao falar em perseguição. “Se alguém ainda tinha dúvida sobre de que lado o juiz sempre esteve e qual era o motivo de me perseguir, a dúvida acabou quando ele aceitou ser ministro da Justiça do Bolsonaro. E toda a verdade ficou clara: fui acusado, julgado e condenado sem provas para não disputar as eleições. Essa era única forma do candidato dele vencer”, frisou.