Rafael Andrade
Tubarão

Cansado e preocupado com o acréscimo acelerado da criminalidade em Tubarão nos últimos três anos, o vereador Dionísio Bressan Lemos (PP) convocou uma sessão extraordinária na câmara de vereadores da cidade, ontem à noite. Durante mais de duas horas, vereadores, secretários da prefeitura, representantes das polícias Civil e Militar, de associações de empresários e lojistas, de sindicatos e do Ministério Público debateram soluções a curto, médio e longo prazo para reverter ou pelo menos estabilizar os números negativos.

Já são 12 homicídios em menos de seis meses e dezenas de ocorrências de assaltos à mão armada, furtos, estupros e até sequestros. Ano passado, foram dez assassinatos e mais uma morte segue sob investigação – do eletricista Ricardo Cipriano Diomar, em setembro de 2009. Não houve definição no inquérito se foi um homicídio. Segundo dados da Central de Polícia e do 5º Batalhão da PM de Tubarão, mais de 90 % dos assassinatos cometidos no município nos últimos três anos são motivados pelo tráfico de drogas.

“A criminalidade não é uma questão para ser resolvida somente pela polícia, como por todos. É um problema social do Brasil. Não é exclusividade de Tubarão este problema. O comércio do crack é o grande empecilho para se resolver”, alerta o major Giovani Livramento, comandante da 2ª Companhia do 5º Batalhão da PM da cidade.
Livramento destaca que a PM local requereu a instalação de um Centro Integrado de Emergência ao poder executivo estadual. Ainda não recebeu resposta. Este setor focaria as questões mais incidentes, com o planejamento de ações mais diretas contra os criminosos.

Mais unidades prisionais

O diretor do Presídio Regional de Tubarão, Décio Paquelin, avalia que a polícia faz a sua parte, mas seria interessante uma reforma no sistema prisional da região. “Temos 301 presidiários em Tubarão, 90% deles envolvidos com o tráfico de drogas. O interessante é a instalação de uma unidade prisional em cada cidade que tem comarca. A ressocialização de presos também é muito bonita no papel, mas não é colocada em prática como deveria. Mais unidades carcerárias precisam ser construídas em caráter emergencial. O caos no sistema prisional é uma realidade brasileira”, lamenta Paquelin.

Mais unidades assistenciais

Tubarão tem dois Centros de Referências de Assistência Social (Cras). Um no bairro Passagem e outro no Morrotes. Nos dois locais, é comum o tráfico de drogas, principalmente do crack. Com a instalação destas unidades assistenciais, a comunidade local tem uma chance de reverter a situação negativa e conta com apoio incondicional de profissionais ligados à área social. “Investir em educação é investir em prevenção. Por isso, focamos no contato direto com o público”, frisa Carla da Rosa, presidenta do Cras da Passagem.