Maycon Vianna
Tubarão

Cenário de guerra: fuzis, helicópteros, prisão, viaturas… A população tubaronense acordou assustada na madrugada de ontem. A ‘Operação Tubarão 121’ serviu para a Polícia Civil ir à ‘caça’ dos criminosos envolvidos nos cinco últimos homicídios em Tubarão. “Só escutei o barulho do helicóptero, parecia que voava razante perto de casa”, conta Marli Gonçalves Oliveira, moradora da Área Verde, em Tubarão.

A operação especial da Polícia Civil iniciou por volta das 5 horas, quando os delegados reuniram-se com os policiais para definir a ação através de busca e apreensão em quatro bairros (Morrotes, Área Verde, Santo Antônio de Pádua e São João). Doze mandados foram expedidos pela justiça e, logo nas primeiras horas da manhã, seis suspeitos ‘nas mãos’ da polícia. Eles foram encaminhados à Central de Polícia Civil de Tubarão, onde ficaram presos à espera de interrogatório.

“Um trabalho eficiente dos nossos policiais, não houve um disparo de arma de fogo. Ninguém ficou ferido. Era preciso realizar uma ação mais intensiva para tentar frear a criminalidade em Tubarão”, enfatiza o delegado-chefe da Polícia Civil de Santa Catarina, Maurício Eskudlark.

Os tubaronenses gostaram do trabalho eficaz da polícia. “Era preciso mais policiais nas ruas e, felizmente, os suspeitos de terem cometido os assassinatos foram presos. Pelo menos por enquanto, teremos um pouco mais tranqüilo e creio que o número de homicídios diminuirá”, avalia o comerciante Paulo Henrique de Medeiros.

‘Operação Tubarão 121’: Muito planejamento para realizar a ação
Uma reunião entre os delegados da Polícia Civil, investigadores e demais policiais deflagrou, na madrugada de ontem, a ‘Operação Tubarão 121’. “Planejamos as investidas para evitar alarde à população. Desde as 5 horas de hoje (ontem) a Polícia Civil esteve reunida, com a preocupação de programar uma ação sem confrontos, sem necessidade do uso de armas de fogo”, explica o delegado-chefe da Polícia Civil de Santa Catarina, Maurício Eskudlark.

Logo após às 5 horas, os primeiros barulhos do helicóptero pelicano, da Polícia Civil, começaram a ser ouvidos pela população.
Policiais a postos, armas em punho, começo de uma grande operação na busca por 12 suspeitos de envolvimento nos cinco homicídios (veja tabela) este ano em Tubarão.

A ação envolveu mais de 70 policiais, mobilizou também agentes de Tubarão e do estado, incluindo a Central de Operações Policiais (COP), o Grupo de Operações Especiais (GOE) e o departamento de cães farejadores. A polícia procura tranqüilizar a sociedade sobre a ação realizada. No entanto, alerta sobre a importância das denúncias.

“Temos a obrigação de tirar de circulação todos os criminosos. O histórico de crimes no estado mostra que quase 100% dos homicídios estão relacionados ao tráfico de drogas. A população que não se inclui nesse quadro tem mínimas chances de ser atingida. De qualquer forma, o Disk Denúncia 181 está aberto para a população entrar em contato com a polícia”, reforça o delegado.

Maurício Eskudlark acrescenta que as investigações do Serviço de Inteligência da Polícia, em parceria com a justiça e o Ministério Público, estão são realizadas desde a ocorrência do primeiro homicídio no ano, do serralheiro Roge Moreira, morto no dia 5 de junho.

Principal suspeito defende-se
Um dos suspeitos de ter cometido os assassinatos em Tubarão foi preso pela Polícia Civil na manhã de ontem, em uma casa no bairro Humaitá, próximo à rodoviária.

Jessé de Jesus Mello, 24 anos, foi preso suspeito de ter algum tipo de envolvimento com os últimos homicídios ocorridos na cidade. Ele tem passagens pela polícia. “Quem deve ao tráfico sabe. Querem me usar como bode expiatório. Mas não tenho ligação com estes assassinatos da cidade. Não quero meu nome relacionado ao mundo do crime”, declara o suspeito.

Jessé era procurado pela polícia há pelos dois meses, desde a morte do serralheiro Roge Moreira, 25 anos, no dia 5 de junho. A polícia reuniu indícios contra Jessé e entregou à justiça. Ele passou a noite na cela da Central de Polícia Civil e prestará novo depoimento hoje.