O maior temor são os ataques em transportes públicos. Em Tubarão, o serviço sofreu alterações de horário já na noite desta sexta-feria
O maior temor são os ataques em transportes públicos. Em Tubarão, o serviço sofreu alterações de horário já na noite desta sexta-feria

 

Fernando Silva
Tubarão
 
A onda de violência registrada em Santa Catarina nos últimos dias colocou as polícias da região em alerta máximo. Em Tubarão, na madrugada desta sexta-feira, duas ações criminosas deixaram o clima tenso na cidade. Por volta das 3 horas, uma empresa de guinchos teve um dos veículos apedrejado e atingido por um coquetel molotov.
 
O explosivo não funcionou e não foram registrados maiores danos na empresa. Ainda durante a madrugada, o carro de um familiar de um policial da região teve o vidro quebrado. Os criminosos também tentaram atear fogo no veículo, sem sucesso.
 
Para o tenente-coronel e comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar de Tubarão, tenente-coronel Ângelo Bertoncini, as ocorrências são fatos isolados do restante dos ataques registrados no estado.
 
Bertoncini revela que os atos foram cometidos por membros de grupos que já foram presos diversas vezes, e aproveitam-se da situação vivida no restante do estado e no país para causar pânico na cidade.
 
Mais do que nunca, o comandante pede para que a população não se intimide, fique atenta e avise a PM por meio do telefone de emergência 190 se virem qualquer situação suspeita. “As pessoas não podem entrar em pânico. É através do medo que os criminosos ganham força nessas ações. É preciso que todos andem com maior atenção, cuidado, mas não há motivo para pânico”, afirma Bertoncini.
 
O tenente-coronel assegura, também, que o efetivo da Polícia Militar está reforçado, alerta, armado  e preparado para qualquer tipo de eventualidade na cidade. “Estamos prontos para cumprir nosso dever”, promete.
 
Receio em andar de ônibus
Com os ataques em transportes coletivos em mais de dez cidades catarinenses, a população de Tubarão que usa o serviço passou os últimos dias com receio. A costureira Sônia Justina, de 56 anos, confessa estar um pouco temerosa de utilizar o coletivo. 
Ela faz uso do serviço pelo menos três vezes por semana e não esconde o medo. “Tenho parentes em Florianópolis e fico preocupada de ocorrer o mesmo aqui”, preocupa-se. A empresa TCL, que presta o serviço na cidade, tomou algumas medidas para prevenir possíveis ataques aos ônibus.
Além de orientar os funcionários sobre como proceder em situações onde há ações suspeitas, alguns veículos que não voltavam para a garagem ao fim do expediente, agora também ficam guardados no estacionamento da empresa.
Além disso, já na noite desta sexta-feira, diversos ônibus foram escoltados por viaturas policiais que não estavam em nenhuma ocorrência. O número de linhas foi reduzido. Segundo o inspetor de tráfego da TCL, Florêncio Silva, as ações servem para dar mais segurança aos funcionários e à população.
“Orientamos que os nossos profissionais acionem a Polícia Militar caso percebam qualquer tipo de atitude suspeita dentro e fora dos veículos”, resume Florêncio.
 
Apesar de saber que a situação na cidade não tem qualquer relação com a onda violência que assola o estado e o país, dona Sônia confessa: “Estou com medo de utilizar o coletivo”
 
Segurança em Tubarão
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar de Tubarão, tenente-coronel Ângelo Bertoncini, assegura que o efetivo está preparado para defender a população sob qualquer circunstância. Além de treinados, o batalhão está equipado e conta com o suporte do Setor de Inteligência. O contato com as forças policias de outras regiões é constante e próximo.
“Nossos homens sabem o que fazer e como fazer em casos de tentativas de atentados na cidade. É preciso repetir: não há motivo para pânico”, garante Bertoncini, ao reforçar que, se necessário, a PM está apta a realizar escoltas a ônibus, por exemplo.
“Temos plenas condições para abordar os suspeitos e proporcionar mais segurança aos passageiros e funcionários com escoltas policiais”, reforça o comandante.
Ele novamente apela para os cidadãos de bem, para que não sejam intimidados e denunciem. A ligação é gratuita e não é preciso identificar-se. “É o momento de tomarmos partido. Apesar de cobrirmos uma grande área, precisamos da ajuda do cidadão para podermos agir na prevenção de crimes”, pede.
Como medida preventiva, a PM também orientou os postos de combustíveis a tomar cuidado com a venda fracionada de gasolina no município. Estas compras geralmente são feitas por pessoas má intencionadas, ainda que não seja uma regra. Neste caso os funcionários também devem ser orientados a ligar no 190.