Após a explosão em um apartamento no bairro Água Verde, em Curitiba, que chocou a cidade e ganhou repercussão nacional, duas pessoas continuam em estado grave. A informação foi divulgada pelo Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, na manhã deste domingo (30). 

As duas pessoas, que são a dona do apartamento e o técnico que fazia uma aplicação de impermeabilização num sofá, continuam internadas na UTI. Além dos dois, o marido da dona do apartamento também ficou ferido. Gabriel Araújo, que tem 27 anos, teve 30% do corpo queimado e já está num quarto do hospital. Segundo boletim médico, o estado de saúde dele é o único considerado estável.

A esposa de Gabriel, Raquel Lamb, de 23 anos, teve 80% do corpo queimado. Já Caio, o técnico, teve 35% de queimaduras pelo corpo. Os dois continuam em estado considerado grave e devem permanecer na UTI.

No apartamento, além dos três que sobreviveram, estava também o pequeno Mateus Henrique Lamb, de 11 anos, que não resistiu. O garoto dormia em um dos quartos no momento em que houve a explosão e acabou sendo arremessado do sexto andar do prédio. 

Ele passou por duas cirurgias no Hospital do Trabalhador (HT), mas os ferimentos eram muito graves. Matheus vai ser sepultado neste domingo, em Curitiba.

O cunhado de Matheus, Gabriel, contou à RPCTV, numa entrevista exclusiva, que todo o ocorrido foi tão rápido que ele sequer ouviu o barulho da explosão. “Eu e minha esposa estávamos ao lado da sala, olhando a aplicação. O Matheus estava no quarto, dormindo ainda. O quarto ficava a três cômodos da sala. Não sei bem o que aconteceu, foi muito rápido e quando olhei já estava no chão, não me lembro de ter escutado [a explosão]. Apaguei por um momento, não sei se foi por estar atordoado pela explosão, mas fiquei no chão inconsciente”, disse.

Ainda de acordo com o relato do rapaz, que gravou o vídeo todo enfaixado e já no quarto do hospital, ele viu que dois dos quartos que se romperam com a explosão. “Os moveis explodiram num quarto, caíram lá embaixo. Só via minha esposa gritando, com estilhaços em cima dela. Foi como se eu tivesse fechado os olhos e quando abri de volta estava no chão, todo queimado e meio atordoado”.

Gabriel contou que quando conseguiu retomar os sentidos, se viu todo machucado e sangrando, e olhou para o sofá, que ainda queimava. “O sofá estava inteiro em chamas, com um fogo muito forte e uma fumaça preta saindo”, lembrou o rapaz, reforçando que antes de a explosão acontecer tinha percebido o cheiro forte. 

“O produto tem cheiro forte, por isso até deixei as janelas abertas. O técnico arrastava o sofá da parede para fazer as aplicações. Em momento algum falou que havia risco, só pediu para abrir as janelas e disse que depois de duas horas poderia usar e depois de 12h poderia derramar água”.

Empresa se posiciona

Ainda à RPCTV, o advogado da empresa Impeseg, que é a responsável pelo técnico que fazia a impermeabilização do sofá, disse que os sócios estão chocados com o caso. A defesa afirmou que tem informações de que todas as precauções necessárias foram tomadas, como a abertura das janelas do apartamento. O advogado afirmou, por fim, que aguarda a conclusão das investigações.

Foto: Reprodução/RPC