Priscila Ladislau
Braço do Norte

Após o incêndio na madrugada de domingo (30) no Hotel Rech, em Braço do Norte, muitas dúvidas surgiram. O chamado ao Corpo de Bombeiros de Braço Norte, realizado por populares ocorreu exatamente às 2h55min. Os bombeiros levaram menos de quatro minutos, entre o chamado até chegar o local. Três viaturas atuaram na ocorrência, duas de Braço do Norte e uma de São Ludgero. Seis bombeiros trabalharam para combater as chamas.

Segundo o tenente André Araújo, do Corpo de Bombeiros de Braço do Norte, quando eles chegaram ao hotel ainda havia pessoas dentro. Três morreram em decorrência da fumaça e seis foram encaminhadas a hospitais da região.

O número de óbitos poderia ser ainda maior. Ao chegar ao hotel, os bombeiros ainda resgataram, em meio da fumaça e às chamas, duas pessoas. Uma delas, as equipes precisaram utilizar uma escada de oito metros. Para combater o incêndio, foram utilizados mais de quatro mil litros de água.

Apesar dos esforços, o efetivo ainda não é considerado o ideal. Em Braço do Norte estão lotados 20 bombeiros. “É um número baixo… muito baixo mesmo! Até esta quarta-feira (ontem), um só bombeiro realizava vistorias em Grão-Pará, Rio Fortuna, Santa Rosa de Lima e Braço do Norte. Ainda temos escalas de férias e outras situações. É um número muito abaixo do que nós necessitaríamos”, informa o tenente Araújo.

O Corpo de Bombeiros agora avalia a atuação da equipe no dia dos fatos. “Trabalhamos apenas em três, e depois chegaram mais três profissionais de São Ludgero. Foram poucos para uma ocorrência com tal complexidade. Se houve erros da nossa parte, iremos verificar e não teremos problemas nenhum em abrir procedimentos administrativos. O que temos apurados, de fato, é que as mortes não foram culpa do Corpo de Bombeiros. Infelizmente, foram vidas ceifadas”, lamenta Araújo.

Inquérito

A Polícia Civil de Braço Norte abriu inquérito policial para investigar as possíveis causas do incêndio. O Instituto Geral de Perícias (IGP) esteve trabalhando nesta terça-feira no local, que segue isolado, e encontrou fuligem até o último andar do edifício. A Polícia Civil agora tem cerca de 30 dias para finalizar o inquérito e determinar as causas, sejam elas intencionais ou não.

O Corpo de Bombeiro também realiza perícia e tem o mesmo prazo para apontar as causas do incêndio. Em relação à única porta de saída, segundo o Corpo de Bombeiros, as normas de segurança internacionais permitem para aquele tipo de edificação, apenas uma saída de emergência.

O Hotel Rech não possuía alvará sanitário, que é emitido pela prefeitura e alvará de funcionamento, emitido pelo Corpo de Bombeiros. Ainda segundo o comandante do 8º Batalhão de Bombeiros Militar, Tenente-Coronel BM Marcos Aurélio Barcelos, o alvará de funcionamento estava ativo até o dia 31 de março de 2016. “O prédio foi construído na década de 60 e teve que sofrer adequações. Ele teve o projeto aprovado em 2007, o habite-se liberado em 2009 e até o dia 31 de março de 2016 estava em funcionamento regular”, informou Coronel Barcelos.

O proprietário será notificado para regularizar a situação, perante as normas de segurança contra incêndio e pânico.

Fotos: Alexandre Frazão/Portal Notisul