Tubarão

A quantia de R$ 192 milhões que apareceu ‘misteriosamente’ na conta de um aposentado pode estar atualmente – com os rendimentos corridos nos últimos dez anos – na faixa dos R$ 500 milhões, segundo o advogado Péricles Prades.
“Como ficou mais de cinco anos depositado, tornou-se o que chamamos de uso capião, ou seja, ultrapassou o tempo limite para que alguém se pronunciasse, então, o dono desta bolada é o tubaronense. Esta quantia está depositada há dez anos”, confirma o advogado, em contato com o Notisul na tarde de ontem.

O aposentado morreu há dois anos. Agora, a fortuna que ele nunca teve pode ir para o bolso dos herdeiros, provavelmente os filhos, que continuam a brigar na justiça. Segundo o advogado Péricles, um representante da Assembleia de Deus também pleiteou que o dinheiro seria dele, porém, a justiça de Santa Catarina entendeu que a quantia, de fato, pertencia ao aposentado.

Para o juiz da Vara da Fazenda Pública, Júlio César Knoll, não importa se o dinheiro foi parar na conta por engano ou por erro de digitação. A fortuna pertence aos herdeiros do aposentado.
Como a decisão foi em primeira instância, ainda cabe recurso e o processo pode arrastar-se por anos na justiça. Até lá, ninguém mexe em um centavo.

Golpistas queriam tirar ‘uma casquinha’

Em dezembro de 2003, o aposentado recebeu um telefonema do banco. Os gerentes queriam saber se ele havia autorizado alguma outra pessoa a movimentar a conta dele.
Diante dos gerentes, estavam dois homens com uma procuração e uma ordem: transferir a quantia para uma outra conta do BB em São Paulo. Eles tentavam convencer o gerente do banco que o aposentado era uma alma caridosa, disposta a doar os milhões que ‘brotaram’ em sua conta.

Os diretores do Banco do Brasil recorreram da sentença afirmando ter sido um erro de digitação de um funcionário. Os golpistas foram presos em Ipatinga, Minas Gerais, e o dinheiro permaneceu na conta