Mota aparece agredindo dois presos na sala dos agentes. Ele proferiu várias cotoveladas nas costas dos detentos e chutes na cabeça, peito e costas.
Mota aparece agredindo dois presos na sala dos agentes. Ele proferiu várias cotoveladas nas costas dos detentos e chutes na cabeça, peito e costas.

Rafael Andrade
Tubarão

O Departamento de Administração Prisional (Deap) de Santa Catarina encaminhou um comunicado oficial ao agente penitenciário que filmou as agressões a dois detentos no Presídio Regional de Tubarão, no dia 1º de junho. O caso ganhou repercussão nacional e fez com que o acusado, o ex-chefe de segurança da unidade carcerária, Carlos Augusto Macedo Mota, fosse afastado imediatamente.

Mota ainda está longe do funcionalismo público. Ele deve ser indiciado por tortura pela Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado. O Ministério Público (MP) de Tubarão recebeu uma cópia do inquérito policial e avalia possíveis punições criminais contra Mota.

O agente que filmou os fatos reclama de perseguição do Deap, dirigido por Adércio Velter, e da SSP, coordenada pelo ex-delegado André Luis Mendes da Silveira. “Eles não gostaram do flagrante que gravei e começaram a me acusar de várias infrações, como quebra de hierarquia e desvio funcional, por exemplo. Mas o que ocorre é uma retaliação, já que Carlos é muito amigo do Adércio. Não aceito a minha transferência para outra cidade (São Joaquim)”, reclama o agente ‘cinegrafista’.

O servidor está afastado por tratamento médico e, quando retornar ao trabalho, em outubro, deverá ir atuar na serra catarinense. “Vou esperar a posição final do relatório da Corregedoria da SSP para me manifestar oficialmente e, talvez, até judicialmente”, finaliza o agente, que poderá ser indiciado por negligência, já que não interferiu durante as agressões de Mota.

O que diz a direção do Deap
Segundo o diretor do Departamento de Administração Prisional (Deap) de Santa Catarina, Adércio Velter, a transferência do agente que filmou as agressões dos colegas é necessária para manter a integridade física do funcionário. “É uma medida temporária, porque, após os fatos, os ânimos na unidade carcerária tubaronense ficaram mais quentes, dos agentes e presos”, avalia Adércio. Até ontem à noite, 331 detentos amontoavam-se nas apertadas celas do Presídio Regional de Tubarão.