Mirna Graciela
Laguna
 
Um crime bárbaro que chocou a população de Laguna há dez anos enfim teve o seu desfecho. Um empresário de 62 anos, acusado de estuprar a própria neta, foi preso em Joinville, onde estava escondido durante todo este tempo. Na tarde de ontem, policiais da Divisão de Investigação Criminal (DIC) da Cidade de Anita buscaram o homem. Ele está na Unidade Prisional Avançada (UPA) do município.
 
“Para nós, realmente é uma felicidade muito grande. O que ele cometeu foi terrível, era uma criança de 3 anos. Foram várias as tentativas de encontrá-lo nestes últimos anos e, quando soubemos que estava detido, imediatamente nos deslocamos para trazê-lo”, comemora o delegado Rubem Thomé. 
 
Para o delegado, é promotores e juízes aguardavam por este momento. “Nossa última investida em Joinville foi em 2010, porque sabíamos que ele estava lá, mas alguém o acobertava”, conta Thomé. Agora, a Polícia Civil e o Ministério Público de Laguna fizeram uma rastreadura no comércio. “Em uma das lojas, conseguimos o endereço e passamos para a Polícia Militar de Joinville, que o prendeu. Em seguida, a Polícia Civil nos avisou”, revela o delegado. 
 
O homem, que é avô paterno da vítima, recebeu a sentença em 2007, quando foi condenado a 16 anos 10 meses e 15 dias de reclusão em regime fechado. Como é muito conhecido em Laguna, cogita-se a sua transferência para a Penitenciária Estadual de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis. 
 
Crime repercutiu no estado, inclusive com manifestações
O crime que abalou a todos e teve repercussão estadual ocorreu em dezembro de 2001, em Laguna. O comerciante, na época com 52 anos, estuprou a neta, de 3. Quando ele soube que teve a prisão preventiva decretada, em março de 2002, pela 2ª Vara Criminal da cidade, fugiu para Joinville, orientado por sua advogada. 
O avô paterno alegou que a menina havia caído em cima de um toco de madeira. O crime mobilizou a comunidade, que inclusive promoveu manifestações. As famílias dos pais da criança demonstraram toda a revolta diante da agressão e também lutaram pela sua prisão. 
A denúncia veio à tona porque uma amiga da mãe da menina percebeu o sangramento em sua vagina. Pela gravidade do ferimento, ela foi encaminhada ao Hospital Joana de Gusmão, em Florianópolis, onde os exames apontaram laceração do hímen. Então, ela foi submetida a uma cirurgia de reconstrução.