Decepcionado com o filho, Celso revela que os problemas começaram ainda no colégio e a família sempre orientou e tentou ajuda-lo a sair do vício
Decepcionado com o filho, Celso revela que os problemas começaram ainda no colégio e a família sempre orientou e tentou ajuda-lo a sair do vício

 

Mirna Graciela
Tubarão
 
A prisão do filho do procurador da república Celso Antônio Três, na madrugada desta quarta-feira em Tubarão, abre a discussão sobre quais as atitudes os pais devem tomar quando descobrem que seus filhos são usuários de drogas.
 
O rapaz, de 22 anos, foi preso pela Polícia Militar junto com outro, mais novo, em uma casa na rua Sebastião Basílio Paz, conhecida como rua dos gaioleiros, no bairro Campestre. A área é conhecida pelo intenso tráfico de entorpecentes.
 
Foram encontradas 190 gramas de crack e 55 gramas de maconha dentro da residência. Os dois jovens foram encaminhados ao Presídio Regional. “Mesmo que ele enquadre-se como traficante, poderá responder o processo em liberdade, porque é réu primário, mas que troque a cadeia pela internação. Daí sim contrato um advogado, mas com esta condição”, afirma o procurador.
 
Para ele, a sensação é de fracasso, pois os pais investem tudo o que podem nos filhos. “Você pensa se poderia fazer algo que não fez. Mas tenho consciência de que demos o nosso melhor e no fim ocorre isto”, lamenta Celso, que já determinou a prisão de muitos traficantes e agora vê seu filho na mesma condição.
 
O procurador trabalhou em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Hoje, atua em Novo Hamburgo (RS). Entre 2004 e o ano passado, ele exerceu suas atividades em Tubarão. 
 
“Orientamos muito sobre os perigos da droga”
Para os especialistas no assunto, o acompanhamento dos pais no processo de dependência química de um filho é de vital importância. Mas a troca deve ser mútua. Mas, em certos casos, isto não ocorre. Muitos perdem a esperança em situações que parecem perdidas. 
Quanto mais jovem for o usuário, mais fácil pode ser sua recuperação. Com a idade mais avançada, torna-se difícil a reintegração física para abandonar o vício. O procurador da república Celso Três possui quatro filhos adotivos: duas meninas, de 7 e 12 anos (que são irmãs) e dois rapazes de 22 anos. 
“Este (o que foi preso) sempre foi o mais problemático. Quando entrou no ensino médio, há cinco anos, não estudava e descobrimos que consumia droga. Ele já esteve internado por seis meses e saiu bem, mas a droga é como o álcool, tem que estar sempre alerta para não cair novamente no vício. Orientamos muito sobre os perigos que ele corria”, desabafa o procurador. 
Segundo Celso, depois do tratamento, o filho foi trabalhar, mas não durou muito tempo. “No início deste ano eu já tinha dado como causa perdida, mas ele falou que  desejava sair dessa vida. E mais uma vez sugeri a internação”, afirma.