Vinte e uma pessoas procuraram a Polícia Civil na noite de sexta-feira (25) em Caxias do Sul para denunciar que foram vítimas de um golpista na obtenção da cidadania italiana. Os crimes teriam ocorrido ainda no ano passado, tendo em vista que a promessa do suspeito era de enviar a documentação até o mês de dezembro de 2018.

Conforme o registro policial, as 21 pessoas pagaram duas parcelas de R$ 1.125,00 para Robert Delazeri. Como não obtiveram respostas satisfatórias, pesquisaram em redes sociais e descobriram que haviam caído em um golpe. As vítimas possuem provas como conversas de WhatsApp e comprovantes de depósitos, que serão entregues para investigação da Polícia Civil.

Preso em São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo prendeu um homem de 39 anos, identificado como Robert Martini Delazeri, suspeito de aplicar golpes na obtenção da cidadania italiana. Estima-se que ele tenha lesado cerca de 50 pessoas, movimentando o valor de aproximadamente R$ 1,5 milhão durante três anos de ação. A ação ocorreu no dia 17 de setembro deste ano.

A base do estelionatário era em Caxias do Sul, onde ele fez aos menos 15 vítimas, que ingressaram com processo contra o golpista. Cada umas das pessoas enganadas deu R$ 30 mil para o estelionatário assessorar a confecção da cidadania italiana. Conforme a polícia, uma das vítimas chegou entregar R$ 100 mil para o golpista.

Ele foi preso na cidade de Piracicaba em cumprimento ao mandado de prisão preventiva, expedido pela 4ª Vara Criminal da Comarca de Caxias do Sul e foi encaminhado à Serra Gaúcha.

Investigação

Segundo o delegado Joel Wagner, a investigação iniciou em fevereiro de 2019, quando a delegacia recebeu informações de que o suspeito, por meio de uma empresa, nominada DHG, estava oferecendo serviços de reconhecimento da cidadania italiana. Ele enganava as vítimas para ficar com os valores em dinheiro, Reais e Euros, sem prestação dos serviços prometidos.

O delegado explica que o golpe se dava da seguinte forma: o suspeito prometia que a cidadania seria reconhecida por meio da residência na Itália e não pelo Consulado Italiano no Brasil. Assim, as vítimas deveriam obter documentação de ascendentes italianos, e, além disso, deveriam permanecer na Itália por um período que variava entre 45 a 90 dias.

As vítimas pagavam em média o valor de R$ 30 mil, geralmente em Euros, para a prestação do serviço, que incluía o acompanhamento para a obtenção dos documentos, passagens aéreas, translado e hospedagem na Itália. As pessoas lesadas sequer viajavam para Itália, pois as passagens aéreas não eram compradas pelo investigado.

Quem conseguia ir até a Europa, não encontrava a hospedagem prometida, aumentando ainda mais seus gastos, pois eram iludidas pelo suspeito a permanecer na Itália sempre prometendo a obtenção do direito da cidadania. Depois de muito insistir pelos seus direitos, as pessoas se davam conta de que haviam sido vítimas de um crime e retornavam ao Brasil.

Passagem comprada

As investigações da Polícia Civil levaram a informação que o suspeito tinha uma passagem aérea comprada para o próximo dia 19, com destino a Milão. Um Ford Edge foi apreendido na operação e poderá ser usado para restituir valores às vítimas.