Nos últimos dias, dois dos três principais nomes a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentaram os seus vices e foram oficializados pré-eleitoralmente. Agora, o que podemos nos perguntar é que impacto surgirá com a definição dos vices, em pleno período não eleitoral e já sendo, pois, segundo o senso comum, pouco nos importarmos com vice em nossa política brasileira. É até interessante perguntar quem é o nosso vice-prefeito? Ao levarmos para outro ramo de nossa sociedade, quem saberia dizer o atual vice-campeão brasileiro?

É claro que numa campanha eleitoral a apresentação do vice propõe um novo ânimo eleitoreiro, pelo fato de ser mais um evento no qual, além de apresentar a continuidade de uma proposta de trabalho, também é confirmado que o projeto de sucessão possui cooperadores. Embora não estamos em período de campanha. E tudo que acontece no país são eventos de pré-campanha eleitorais e seguidos de apenas viagens políticas e entrevistas amigáveis. Quem sabe seria melhor apresentar os vices depois da Copa do Mundo. Ou talvez os presidenciáveis já optaram pela escolha de voltarem com a chapa pronta depois da Copa.

Quem tomou a frente foram as “presidentas”. Primeiro foi a senadora Marina Silva (PV) apresentando o empresário Guilherme Leal, da Natura, como seu pré-vice-presidente. Doravante, não foi nenhuma novidade, como também aconteceu com Dilma Rousseff (PT). A presidenciável Dilma tem a confirmação de Michel Temer (PMDB), atual presidente da câmara e de seu partido. Sem dúvida, Dilma terá mais benefícios em relação a Marina e até mesmo com José Serra (PSDB), pois estará ganhando o tempo televisivo do PMDB. Por conseguinte, a petista também terá alguns palanques para subir quando a campanha começar de verdade.

Por outro lado, o PMDB possui mais uma vez um nome na disputa presidencial. É bom lembrar que eles (PMDB) vêm de três derrotas em campanhas presidenciais: primeiro com Ulysses Guimarães em 1989, depois com Oreste Quércia em 1994 e sendo vice (a deputada do Espírito Santo Rita Camata, hoje do PSDB) de Serra em 2002. Logo, para o PMDB perder mais uma campanha presidencial não será motivo de grande dor, pelo motivo coalizional, ou seja, eles continuarão no próximo governo.

Dos principais nomes nos quadros de intenções de votos, só falta José Serra apresentar seu vice. Diz que será em junho. Aposto que se tivesse um nome definido ele também aproveitaria o embalo e lançaria seu pré-vice-presidente. Será o mineiro Aécio Neves (PSDB)? Ou alguém dos Democratas? A pergunta ainda é pertinente, quem será o vice dos tucanos? Depreendo saudando os nossos atuais vices pelo nosso Brasil.

Porém, muitos deles prometem ser “vice discreto”, e com isso acabam formulando ideia de que eles mesmos não devem aparecer. Por conseguinte, quando Michel Temer pronuncia esse pensamento, só há uma explicação: Temer mais do que ninguém, sabe o quanto é ruim de votos e, nessas alturas do campeonato, ao invés de ajudar Dilma com votos, ele poderá atrapalhar. Então, resta ficar quieto e colaborar com o tempo de televisão.