Pode parecer exagero ou que se está falando de um país do fim do mundo. Afinal, já é consenso: não haverá crescimento sustentável (com preservação do meio ambiente e diminuição das desigualdades sociais) sem boa educação para todos, o que pressupõe, no mínimo, bons professores. Mas é realidade! E estamos falando do Brasil, um país que busca, às vezes de forma açodada, um lugar no protagonismo global.

Os fatos e os números revelam esta contraditória e preocupante situação. Não temos professores habilitados o suficiente, mesmo a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) tendo determinado que até 2006 esta situação fosse resolvida. Ainda há, segundo o Ministério da Educação, 300 mil professores atuando fora da área para as quais foram formados e, os cursos de pedagogia e licenciatura não conseguem preencher a metade das vagas oferecidas. Outro agravante é que as novas gerações não querem exercer esta profissão. Pesquisa da Fundação Carlos Chagas, entre alunos do último ano do ensino médio, constata que apenas 2% optam pelo magistério e, para agravar, eles estão entre os de menores rendimentos. Isto piora o que já está ruim! Nossos alunos ocupam o final da fila em leitura (48°), matemática (53°) e ciência (52°) entre os de 57 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Estudos da Unesco, entre 128 países, coloca-nos na vexatória 88ª posição. No Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica -, realizada a cada dois anos), alunos da 4ª e 8ª séries do ensino fundamental e da 3ª do ensino médio demonstram, a partir de 1995 (1ª avaliação), que estão aprendendo o mesmo, ou menos, em português e matemática. Nos estágios, segundo o Instituto Euvaldo Lodi, 80% dos estagiários têm o contrato rescindido por problemas de comportamento. Avançamos na quantidade, praticamente universalizando o ensino fundamental, mas patinamos na qualidade.

Este quadro somente será revertido se revertida for, principalmente, a situação do professor que está abandonado financeira e intelectualmente e, em algumas situações, com a autoridade e a integridade física ameaçadas.

Os esforços do governo federal e de alguns estaduais e municipais, neste sentido, acumulam equívocos: “Tratam separadamente o que é indissociável: qualidade do ensino, salário e formação do magistério”, afirmei em Insistência Inepta, publicado neste espaço, no ano passado. Quando pagam o piso nacional de salários, fazem-no igualmente para todos, sem a cobrança da contrapartida, resultando que produtivos e improdutivos ganhem mal. Quando oferecem capacitação, geralmente, é desprovida do diagnóstico das deficiências de formação. O que se deve é implantar sistema de avaliação que aponte deficiências na formação, a serem sanadas através de capacitação, e premie o mérito. Quem o fez, melhorou o ensino, o salário e a formação dos professores. Logo, o problema é mais de gestão do que de dinheiro. Embora seja notória a necessidade de mais investimentos no setor.

Ou o Brasil toma as medidas necessárias para manter e trazer as melhores cabeças para o magistério ou ficaremos sem professores, ou com os de menor rendimento, adiando o futuro, já que jazemos atropelados pelo atraso numa área estratégica: a educação básica.