Recebi o simpático convite para a sessão solene de investidura e posse dos novos acadêmicos da Academia Tubaronense de Letras (Acatul) – sodalício que dignifica a história cultural de Tubarão e de Santa Catarina. Fiz questão de estar presente para partilhar desse universo mágico onde artífices com sua pena-cinzel dão forma sensível à palavra.

Na memorável noite de sexta-feira, 11 de dezembro, nas dependências do Museu Willy Zumblick, templo que abriga o patrimônio artístico da nossa Cidade Azul, a arte pictórica do seu artista maior – Willy Alfredo Zumblick, tomaram posse os ilustres acadêmicos Amaline Mussi, Marilene da Rosa Lapolli e Irmoto José Feuerschuette com o compromisso de servirem o ideal acadêmico na defesa da língua, da cultura, da liberdade de expressão, na difusão da literatura dos catarinenses. Vozes de diferentes histórias, pensamentos e gerações! Parabéns. Que o espírito acadêmico perdure para sempre e a sua obra seja contada entre as páginas da literatura dos catarinenses pelo que protagonizam e muito que significam para a sociedade tubaronense. 

Um olhar alargado sobre a nossa história cultural veremos a inegável contribuição de homens e mulheres de Tubarão que por sua arte literária e por sua dedicação à cultura do estado fazem parte da memória indelével da tradicional Academia Catarinense de Letras, a Casa de José Boiteux; na Cadeira 10, a poeta, jornalista e professora Casthorina Lobo de S.Thiago (1884-1975), o fundador da Cad.21, o professor e deputado Joe Luís Martins Collaço (1889-1951); na Cad.24, o poeta, professor e deputado, Francisco Barreiros Filho (1891-1977); na Cad.40, o contista Nereu Corrêa (1914-1992). No presente, cabe reverenciar os tubaronenses de nascimento ou os que elegeram como a “terra de pertença”, cito os escritores Amílcar Neves (1947), Cad.32, João Nicolau de Carvalho (1943), Cad.9; Flávio José Cardozo (1938), Cad.23; Miro Moraes (1937), Cad.20. 

Por último, não poderia deixar de lembrar personalidades da área médica que figuram na respeitada Academia Catarinense de Medicina, presidida pelo tubaronense, o cronista Rodrigo d’Eça Neves, neto do Acadêmico Othon Gama Lobo d’Eça (1892-1958), Cad.15. Médicos com uma produção literária expressiva e que na cidade de Tubarão teceram a sua história de vida. Destaco os nomes de: José Warmuth Teixeira, Miguel Boabaid, João Ghizzo Filho, Marta Rinaldi Muller, Aracary Cardoso Bittencourt, Otto Frederico Feuerschuette e seu filho Irmoto José Feuerschutte, ex-prefeito de Tubarão, cujo legado cultural, político e social é incontestável. 

Nesta cartografia que se desenha a indissociável relação entre a literatura e sociedade, onde as Academias de Letras desempenham um papel fundamental, a cultura é força inovadora, reveladora da criação coletiva, das expressões vivas de cidadania e no espelhar a identidade cultural.