D e acordo com o critério da Organização Mundial da Saúde (OMS), é considerado aceitável o índice de dez homicídios por ano a cada 100 mil habitantes. A partir daí, configura-se epidemia. Tubarão, porém, não aparece entre as 14 cidades mais perigosas de Santa Catarina, segundo a secretaria de estado da segurança pública e defesa do cidadão.

Mesmo com o aumento de dez para 13,7 homicídios por 100 mil habitantes entre 2007 e 2009, Santa Catarina, com 6,1 milhões de pessoas, é o segundo estado do país com o menor número de assassinatos, conforme o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci). O primeiro é Piauí que, com 3,1 milhões de habitantes, diminuiu, no mesmo período, de 9,5 para 9 homicídios por cada 100 mil pessoas.

A maior exposição na mídia faz parecer que São Paulo é o mais violento, mas não é. Com 41,4 milhões de habitantes e diminuição dos homicídios de 11,7 para 10,9 a cada 100 mil pessoas, é o terceiro estado menos violento do país. Apenas um degrau acima de Santa Catarina e muito próximo, proporcionalmente, a Tubarão, com seus quase 100 mil habitantes e 11 homicídios no ano passado.

É, portanto, um equívoco comparar Tubarão a São Paulo como se fizesse referência a cidade mais violenta do Brasil. Se a intenção for esta, deve-se comparar com Alagoas. Com 3,2 milhões de habitantes, saltou de 58,5 para 63,4 homicídios por 100 mil pessoas no período em questão. Ou com o Espírito Santo, o segundo mais violento. Com 3,5 milhões de habitantes, aumentou de 54,1 para 58,0 o número de assassinatos.

Rio de Janeiro, que também sempre está nas manchetes, o número de mortes passou de 35 para 35,8 no mesmo período. É o quarto estado mais violento do país. Tem 16 milhões de habitantes.
Para se ter ideia mais apurada da situação de Tubarão, há que se ter ciência de que a média nacional é de 25 assassinatos por ano a cada 100 mil habitantes. Além disso, o governo federal investirá R$ 6,1 bilhões até 2012 para reduzir este número para 12 homicídios por ano.

Isto não significa, contudo, que devemos relaxar ou nos acomodarmos com as medidas de prevenção e combate à violência, muitas delas em curso, na nossa cidade. Pelo contrário. Devemos reforçar o trabalho para que Tubarão possa reconquistar os patamares anteriores a 2008, mesmo crescendo, desenvolvendo-se e oferecendo mais oportunidades para todos – o que deve ser meta comum.