Maurício da Silva
Professor e diretor-presidente da Fundação Municipal de Educação

Tubarão paga aos professores efetivos, segundo levantamento da Amurel (abril/2018), uma das maiores médias salariais de Santa Catarina. É superior, inclusive, às das redes municipais de Blumenau e Florianópolis.

A qualidade do ensino no 9º ano do Ensino Fundamental, todavia, baixou, segundo o Ideb 2017, e 127 alunos abandonaram a escola naquele ano.

Crianças e adolescentes fora da escola ou na escola, mas com atitudes ou rendimentos inadequados, salvo exceções, serão subempregados, desempregados, protagonistas (como vítimas ou autores) da crescente violência.

Nestes casos, em vez de a sociedade receber retorno pelo investimento feito, desde antes do nascimento (exame pré-natal, alimentação, saúde, vestuário, teto, escola etc.), paga mais impostos (já destina 5 dos 12 salários anuais para isso) para que o Poder Público lhes dê assistência ou os afaste-os do convívio social (cada detido custa R$ 21mil/ano) e perde R$550 mil por cada um deles assassinado, conforme a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal (óbvio, deixam de produzir).

Atitudes e aprendizado adequados, desde a educação infantil, propiciam continuidade nos estudos e acesso a melhores empregos e salários. Em decorrência, consomem mais, pagam mais impostos e utilizam menos os serviços públicos. Quer dizer: pessoas que precisam de auxílio do poder público transformam-se naquelas que podem ajudar. É o mais eficiente plano econômico e preventivo de segurança.

Por isso, a Fundação Municipal de Educação de Tubarão atua em duas frentes que visam aumentar os recursos para a Educação Básica (a qual recebe quatro vezes menos que o Ensino Superior) e reescrever a escola, o que compreende decidir, coletivamente, o que e como fazer para:

1- Garantir Educação Infantil para todas as crianças;

2- Zerar alunos desistentes e oportunizar retorno para os evadidos;

3- Adequar atitudes de professores e alunos às exigidas pelo mercado de trabalho;

4- Elevar a qualidade do aprendizado dos alunos;

5- Capacitar e acompanhar professores para que trabalhem as “competências socioemocionais”, por meio de atitudes e “os direitos de aprendizagem e desenvolvimento”, por meio de Resolução de problemas;

6- Reformular processos e procedimentos pedagógicos;

7- Prover os estudantes de bom acolhimento, cuidado, nutrição apropriada e experiências enriquecedoras;

8- Inserir as famílias no processo pedagógico;

9- Diminuir a reprovação escolar por intermédio do aumento de oportunidades de aprendizagem; jamais por meio da Aprovação Compulsória, que posterga e recrudesce a evasão;

10- ‘Estabelecer estratégias de recuperação para alunos de menor rendimento’ (LDB, Art.12,13 e 24);

11- Aumentar o foco do Diretor de Escola no pedagógico;

12- Diminuir o excessivo rodízio de professores, que atrapalha a aprendizagem;

13- Medir indicadores educacionais e intervir, rapidamente, diante de descontrole;

14- Diminuir faltas de alunos e funcionários, que dificultam o aprendizado técnico e ético, desarrumando a escola;

15- Melhorar os ambientes de aprendizagem;

16- Instituir o uso pedagógico das tecnologias em sala de aula;

17- Reconhecer aqueles que se superam;

18- Manter o Piso do Magistério.