Sempre pensei que em dez, 20 anos, no máximo, teríamos apenas jornalistas formados levando informações para a sociedade. Nossa geração ainda tem muita gente não graduada atuando porque as universidades de jornalismo são recentes. Ou seja, até há algumas décadas, bastava ter vínculo com a imprensa que o registro poderia ser concedido.

Depois mudou. Apenas graduados (e aqueles que já tinham o registro) poderiam coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventuais assuntos. As universidades multiplicaram-se e a categoria começou a se profissionalizar. Sim, considero que apenas são profissionais quem passa pelos bancos das faculdades.
Após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter decidido pela não obrigatoriedade do diploma para o exercício desta profissão, na triste noite de quarta-feira, li em algum grupo de discussão: para ser jornalista, a partir de hoje, basta apresentar a conta de energia e o RG. Seria cômico, não fosse trágico.

A preocupação maior não é com as vagas de trabalho por aí. Mas como as informações chegarão à sociedade. Não é só a prática que faz o jornalista. É preciso teoria, técnica, ética e análise. A união destes elementos forma um excelente profissional.
Em quem a população irá confiar se agora qualquer um pode ter um jornalzinho? Antes das informações serem publicadas, devem ser apuradas, escritas de forma correta e editadas. Não me surpreenderia ver por aí erros em excesso, deturpação da verdade, a continuidade do amadorismo e a prostituição de serviços prestados. Fatos que ainda acontecem, apesar de serem minoria.

Não exigir formação acadêmica para trabalhar em qualquer setor de qualquer profissão é, sim, um retrocesso. A universidade não só teria que ser obrigatória como deveria haver maior fiscalização da qualidade de ensino.
Os ministros decidiram errado. Disseram que a sociedade não tem direito à liberdade de expressão e isto fica exclusivo aos jornalistas. Puro engano. Todos os veículos de comunicação dão espaço a qualquer pessoa. Basta escrever um artigo. A internet dissemina-se de forma assustadora por quê? Porque qualquer um pode escrever o que quiser. Especialistas sempre tiveram espaço em jornais, rádios e televisões, seja em forma de coluna, depoimento em reportagens ou qualquer outro meio. Agora, dedicar-se de forma integral ao jornalismo cabe apenas a quem se dedicou e estudou para isto.
Com o tempo, a realidade vai aparecer. O futuro de todo um país esteve em jogo nas mãos de apenas oito “ministros”.