O que era previsto já está acontecendo, digno de dó, tragicamente falando, e com proporção bem superior ao que muitos temiam e imaginavam. A violência que antes acontecia em grau suportável, na região, de uns tempos para cá cresceu em todos os níveis e locais assustadoramente – mais nos centros urbanos, obviamente. Mas isto não quer dizer que a área rural ficou isenta do tal problema. Os marginais também circulam por lá desestabilizando de modo premente o setor de produção da agricultura, afugentando ainda mais o sofrido homem do campo. Muitos dos jovens trabalhadores e humildes da lavoura também estão incluídos na triste estatística do submundo da droga.

Se fizer uma análise ampla da situação, pode-se chegar ao ápice do descontrole judicial, policial, social e, especialmente, administrativo. Não é exagero, mas as cenas horrendas que são presenciadas sequencialmente por centenas de cidadãos, diga-se, do bem, fazem parte do ultrapassado Código Penal existente no coração de uma sociedade destoada que clama desesperadamente por segurança.

É bem verdade que o sistema penal do país está falido há anos. Com cadeias, penitenciárias e presídios abarrotados, torna-se potencial armadilha de concentração arquitetônica do crime organizado. Solução existe, porém, o que está faltando mesmo é vontade política para transformar o complexo prisional em atividade ocupacional para os detentos durante todo o período em que estiverem cumprindo pena -, modelo mais claro que é a almejada ressocialização.

Lamentavelmente, como em qualquer lugar, primeiro tem de acontecer tragédias para depois vir ações mais rígidas. Por que então as leis, apesar de obsoletas, não estão sendo cumpridas? Falha grave de quem as fez e de quem as interpreta. Prova cabal disto diz respeito aos homicídios ocorridos em Tubarão, Capivari de Baixo, Laguna, Braço do Norte e outras cidades, sem que haja punições adequadas aos contrários que infringem as leis morais e sociais. A princípio, vidas humanas são ceifadas para então iniciar um processo plurilateral de autoridades regionais que tentam, no afogadilho, encontrar medidas aceitáveis que visem amenizar a intranqulidade da população. Eis algumas delas: aumento do efetivo policial, instalação de câmeras de segurança, atuação constante de serviço móvel das polícias civil e militar, rondas diariamente nos pontos considerados de alta periculosidade, são algumas das metas adotadas pelo comando composto pela organização de segurança da Amurel. Tudo isso já devia estar em funcionamento.

Honestamente, isto é apenas um recurso para atenuar ou adiar uma crise que vem se arrastando há muito tempo, sendo que o cerne do problema ainda vai ficar em evidência se algo extraordinário não for levado a efeito com consistência administrativamente e socialmente, com base nas periferias. Não precisa ser nenhum "experts" no assunto para entender que para boa função operacional de um sistema depende muito da sociabilidade. Ao contrário, a desagregação e desordem tornam-se inevitável, atingindo de maneira extensa a todos indistintamente.

Paradoxalmente, a ausência e negligencia do estado nas aeras classificadas de riso, ou seja, de poder aquisitivo baixo, é a causa primordial do aumento desenfreado das mais variadas organizações criminais. Não acredito em posições paliativas, mas sim em fatos concretos, como o início (preventivo), o meio (curativo) e a ponta (repreensivo) do gigantesco iceberg do terror que gira para toda direção humana.