Se o Brasil deseja ser e parecer um país sério ou uma pátria educadora, como enunciou a presidenta Dilma Rousseff (PT) no discurso de posse para o segundo mandato – condições para ser próspero e justo -, o desfecho do ‘petrolão’ (roubo na Petrobras, que, segundo a consultoria Stanlei Morgan, pode chegar a R$ 20 bilhões) deve ser a prisão dos comprovadamente ladrões e dos beneficiados pelo roubo, com devolução total do dinheiro roubado aos cofres públicos.

Qualquer resultado diferente consolidará a lição, já bastante praticada, de que roubar vale a pena. Ensina-se melhor pelo exemplo, que deve vir de cima. Portanto, governantes e seus asseclas que roubam – são ladrões da pior espécie, porque surrupiam do povo, que lhes paga para proteger – devem ser tratados no rigor e no limite da lei.

A gestão político-administrativa do Brasil, salvo exceções, está apodrecida pela roubalheira e pela incompetência. O dinheiro dos cinco meses de trabalho por ano, de cada brasileiro, drenado via impostos – que deveria ir para saúde, educação, segurança, infraestrutura e outros – compra votos que transformam ‘picaretas’ em autoridades que saqueiam os cofres públicos para se (re)elegerem. E tudo isso feito na forma de um ciclo sem fim de roubalheira institucionalizada.

O Brasil teve diversas oportunidades para debelar a corrupção, mas não o fez. Por isso, deve fazer do ‘petrolão’ o fundo do poço! Do contrário, roubalheiras maiores ocorrerão. É o caso do ‘mensalão’, que deveria desencorajar ladrões do dinheiro público e aprimorar o controle dos nossos suados recursos. Ocorreu o contrário. Enquanto era esmiuçado, julgado e figuras conhecidas da república era levadas para a cadeia; enquanto o povo concentrava-se massivamente nas ruas, em junho de 2013, para protestar contra a corrupção e outras mazelas do serviço público, operava-se, com total tranquilidade, o maior roubo de dinheiro público de que se tem conhecimento na história do Brasil.

E tantos outros pipocaram país afora. Dessa forma, os brasileiros devem cobrar total transparência, acompanhar a Operação Lava Jato e, ao menor cheiro de pizza, ocupar as ruas, de forma pacífica, e de lá sair somente com a prisão dos comprovadamente culpados. O povo deve exigir ai9nda que o dinheiro público seja integralmente devolvido.

Mas é insuficiente! Há necessidade de esforço permanente e preventivo: do eleitor, para não se omitir nem vender o voto ou legitimará, já em 2016, as próximas quadrilhas; das casas legislativas municipais, estaduais e federal, para aumentar a transparência iniciada com a extinção do voto secreto e votar no que interessa à coletividade sem cobrar propina; dos governos municipais, estaduais e federal, por meio da transparência total dos seus contratos; da Polícia Federal, Ministério Público e justiça, sem precisar de heróis sazonais como Joaquim Barbosa, no ‘mensalão’, e Sérgio Moro, no ‘petrolão’; dos Tribunais de Contas e Controladorias para, de fato, controlarem e não fazerem figuração como nos recentes escândalos; da imprensa, para divulgar deslizes; da sociedade para que se faça a constante vigilância e cobrança.