5) A mãe corre risco de morte: também esta é uma situação que merece uma discussão mais séria. Quando uma mulher está grávida e encontra-se, por exemplo, com um câncer no útero, faz-se necessário realizar uma histerectomia (retirada do útero). Esta situação precisa ser analisada do ponto de vista moral: a retirada do útero vai, necessariamente, matar a criança, mas não é esse o objetivo da cirurgia.

O objetivo é salvar a mulher. Como consequência, há o aborto, que, neste caso, não é imoral, pois é efeito da cirurgia, e não causa. Porém, há casos nos quais a mulher opta livremente por levar a gravidez até o final para manter viva a criança, como é o caso da Bem-aventurada Giana Beretta Mola, uma médica italiana que viveu esta situação e logo após o parto veio a falecer. Foi uma forma de oferecer sua vida pelo seu bebê. E como dizia Jesus, não há amor maior do que dar vida por quem se ama.

6) Inúmeras mulheres morrem em decorrência de abortos realizados em clínicas clandestinas, pelo consumo de produtos abortivos ou outros meios: a gravidez indesejada ou mal planejada é, infelizmente, uma realidade que não podemos negar, e estas situações podem levar muitas mulheres, num momento de desespero, a procurarem qualquer forma para resolver o problema. Este argumento tem sido utilizado para defender a legalização do aborto, a fim de que as mulheres possam, de forma segura, “livrar-se” do feto indesejado. Afirma-se que assim as mulheres terão mais segurança e irá diminuir o número de óbitos em mulheres que realizam o aborto.

Tal idéia não poderia ser mais monstruosa, pois se considera apenas a vida da mulher e ignora-se, por completo, a vida das crianças abortadas. A gravidez é sinônimo de saúde perfeita. Se quisermos que as mulheres não morram em decorrência do aborto, devemos inibi-lo, e não incentivá-lo ou mesmo legalizá-lo. Nós, cristãos, não podemos permitir que o dinheiro que pagamos de impostos seja utilizado para financiar a cultura da morte.

Queremos vida, e vida em abundância. Lembremos o que nos disse Madre Tereza de Calcutá: se permitirmos que as mães matem os seus filhos, estaremos autorizando que qualquer um mate quem quiser.
Finalmente, quero dizer uma palavra às mulheres que já realizaram aborto e às pessoas que já financiaram ou incentivaram a realização do mesmo.

A igreja orienta-se sempre pela Palavra de Deus, pelas atitudes de Jesus, e, sendo assim, acolhe todos os pecadores com imensa misericórdia, mas não pode deixar de denunciar o erro, falando a verdade. Assim, misericórdia e verdade são as atitudes que devemos tomar em relação aos irmãos e irmãs que já realizaram um aborto; acolher, orientar, informar, mas dizer a verdade, e propor um verdadeiro arrependimento. Deus nos abençoe.