Santa Catarina tem orgulho de suas agroindústrias, afinal, lideram o setor de industrialização de frangos e suínos. Estão nesse ranking Sadia, Perdigão, Aurora, Seara e Pamplona. Não tivesse sido vítima de uma conspiração de fatores econômicos e “burrocráticos”, a Chapecó estaria, até hoje, figurando, com toda a sua importância, neste ranking.

No topo dessa liderança, está a Sadia, que se tornou a maior produtora brasileira de alimentos (do ramo que chamam tecnicamente de semi-prontos e industrializados). Presente nos supermercados do mundo, tem quase 50 mil empregados, 11 indústrias de grande porte e 19 filiais comerciais no Brasil.

Além de possuir uma unidade comercial na Argentina, representações no Uruguai, Paraguai e Chile, escritórios comerciais em Milão, Tóquio e Dubai e uma churrascaria em Pequim, seus produtos são distribuídos, só no mercado interno, em 90 mil pontos de venda.

Essa gigantesca empresa catarinense, no entanto, já sofreu muitos revezes e enfrentou grandes dilemas. No início dos anos 50, por exemplo, estava diante de um impasse. Com sua fábrica instalada em Concórdia, enfrentava muita dificuldade para expandir seu mercado e chegar a São Paulo. Era praticamente impossível transportar alimentos frescos por mais de mil quilômetros de estradas ruins, numa viagem que demorava mais de 24 horas. O desafio era vencer distâncias e entregar produtos frigoríficos frescos e de qualidade.

É nessa esquina histórica que surge o piloto Omar, filho do fundador da empresa, Attilio Fontana. Desejando ter vôo próprio, fez brevê de piloto enquanto estudava direito na capital paulista e tornou-se piloto na Panair do Brasil.

Pois foi Omar que propiciou o primeiro grande “vôo” da empresa, ao convencer Attilio a comprar um C-47 da Panair, por apenas 15 mil dólares norte-americanos, com o qual passou a transportar – diretamente de Concórdia para São Paulo – três toneladas de carne e banha, em apenas duas horas e meia.

A sua estratégia foi tão bem sucedida que no dia 5 de janeiro de 1955, há exatos 52 anos, ele fundava a Sadia Transportes Aéreos. Pouco mais de um ano depois, o que era para ser a solução para o impasse na linha de transportes e abastecimento da Sadia, transformara-se numa empresa aérea. Em 16 de março de 1956, um DC-3, prefixo PP-ASJ, dava início aos serviços de transporte de cargas e passageiros entre São Paulo, Joaçaba, Videira e Florianópolis, o que só agora (como involuímos!) conseguimos restabelecer com as linhas da NHT.

Omar fez da Sadia Transportes Aéreos uma das nossas mais modernas e competentes empresas aéreas, a Transbrasil. A empresa, que se tornou famosa pela pontualidade de seus modernos “Wide-boing”, teria sobrevivido não fossem os descaminhos da (des)política aeroviária deste país, a falta de um plano de sucessão profissionalizada e a longa enfermidade e morte de seu fundador.

Mas não devemos esquecer que se a Transbrasil é, hoje, um melancólico album fotográfico de carcaças carcomidas em hangares inoperantes, foi ela que determinou a “decolagem” da Sadia.