25 de maio de 2008. Quadra de Roland-Garros, Paris. Naquele dia, um dos deuses sagrados do tênis mundial faria o último jogo da sua brilhante carreira. Ao adentrarem na famosa quadra, os milhares de fãs depararam-se com aquele mesmo uniforme, azul e amarelo, que usara no dia 8 de junho de 1997. Naquele dia, Guga deixava o anonimato para conquistar o mundo do tênis e do esporte e ocupar as manchetes da imprensa mundial.

Nesta segunda feira, completam-se exatos 12 anos daquele que foi o maior feito do esporte catarinense. Ainda lembramos-nos do gesto humilde de Guga, dobrando-se como um súdito diante do “rei” Björn Borg. Foi um dos maiores momentos de orgulho para todos nós, seja pela vitória, seja pelo gesto de humildade.
Depois, vimos que esse garoto soube subir aos píncaros da glória planetária e dele descer com a mesma simplicidade, sem que o cristal tão bem lapidado por seu pai, Aldinho, e sua mãe, Alice, trincasse ou sofresse o menor arranhão.
Anos e décadas passarão e seu nome continuará gravado no coração e na mente de milhões de brasileiros como grande herói do tênis brasileiro e do esporte barriga-verde.

Em sua magistral obra A Democracia na América, o filósofo francês Alexis de Tocqueville faz uma insuperável radiografia da alma dos norteamericanos em meados do século 19. Numa de suas análises, ele destaca a importância da família: “Examinemos a criança ainda nos braços de sua mãe; vejamos o mundo exterior a se refletir pela primeira vez no espelho ainda obscuro da sua inteligência; contemplemos os primeiros exemplos que lhe chamam a atenção; ouçamos as primeiras palavras que despertam nele as forças adormecidas do pensamento; assistamos, por fim, às primeiras lutas que terá de enfrentar; e, somente então, compreenderemos de onde vêm os preconceitos, os hábitos e as paixões que vão dominar a sua vida. O homem acha-se inteiro, por assim dizer, entre as cobertas de seu berço”.

Assim como o pai de Guga, Aldinho, fui sócio-atleta do Clube 12 de Agosto, em Florianópolis. Eu, não mais que um atleta dedicado e cheio de raça no futebol de salão. Ele, um verdadeiro craque no basquete. Daí porque não tenho dúvida de que o talento e a paixão de Guga pelo esporte vêm dos dois troncos: os Schlösser, da mãe, e os Kuerten, do pai.
Mas, como estamos cansados de ver, especialmente no futebol, talento e paixão podem ser, e muitas vezes são, desperdiçados, jogados fora. Conheci muitos atletas excepcionais que se perderam, no meio do caminho…
O que sempre fez a diferença?

Educação! Regras! Limites! Padrões éticos e morais. Bons exemplos dentro de casa!
Kaká, craque da seleção brasileira, é outro que confirma essa impressão.
Guga continua sendo uma atração mundial, mesmo sem jogar. Assim como Pelé, que tornou-se ainda mais famoso depois que parou de jogar. Por que isso? Pelo carisma, pelo exemplo, pelos predicados superlativos que compõem as suas personalidades.
Além das centenas de troféus que ganhou, além da admiração de todos os amantes do esporte, Guga fez todos os “aces” e levou todos os “games” e “sets” de respeito e admiração do povo brasileiro, catarina e manezinho!