No dia 4 deste mês, o jornal da TV  Bandeirantes, que tem Boechat como âncora, anunciou uma novidade no assunto aquecimento global. James Lovelock, cientista inglês que liderou as informações referentes ao perigo que o planeta estaria sujeito com o referido aquecimento, teria feito uma retratação. Reconhecia que se enganou e que a Terra não estava em aquecimento como supunha. Aqui cabem dois comentários.
 
Primeiro: a Globo costuma dar ênfase à matéria em horário nobre, inclusive com uma intrigante e longa reportagem sobre a desertificação da Patagônia. Já a Rede Bandeirantes sempre tangenciou o assunto, parece que duvidando do mesmo. 
 
Segundo: é interessante observar que Lovelock foi o mentor da Teoria de Gaia. Para ele, a parte da crosta terrestre (superfície, subssuperfície e atmosfera nas dimensões limitadas pela ocupação), constituiria uma espécie de divindade a que ele chamou de Deusa Gaia (homenagem a outra Gaia, da mitologia grega, que representa a Terra). 
 
Para melhor compreensão, assemelha-se a casca do ovo. Esse pensamento foi imediatamente absorvido pelos fundamentalistas do meio ambiente, que criaram uma situação de pré-pânico, junto com ONGs e a mídia internacional, sem uma comprovação científica clara. 
 
Há que reconhecer que a ficção da Deusa Gaia é extraordinária. O planeta estaria sendo submetido a uma espécie de doença, provocada pelos humanos, com a proliferação da poluição. A coisa seria levada a tal porte, que Gaia  perderia a paciência e promoveria uma vingança fenomenal. 
 
Esta vingança poderia vir de muitos modos, mas sempre associados a fenômenos naturais, como tsunamis, erupções vulcânicas, derretimento de geleiras,  elevação  do nível das águas dos mares e tornados, entre outros exemplos. Não tem professora e criança do ensino fundamental que não saiba isso. O doutrinamento foi perfeito. 
 
Por outro lado, os gases de efeito estufa seriam os grandes males, principalmente sob forma de CO2 e metano, produzidos pela queima de carvão e petróleo. Não falou do lixo e esgoto sanitário. Nunca houve consenso entre a comunidade científica. Existem mais de 1,5 mil trabalhos de estudiosos que contrariam a matéria. Os debates entre os prós e contras sempre deram uma larga margem de vitória para estes.
 
Entretanto, o que se tem visto é que em função da disseminação da tese, muitos modelos de produção de energia foram desativados por pressão de grupos radicais e intolerantes, que usam como argumento a vingança de Gaia em um revanchismo contra o CO2 produzido. 
 
Até o carvão de Santa Catarina foi envolvido, com a recorrente má vontade contra o nosso parque térmico pelos defensores locais do aquecimento global. Na verdade, uma das razões do atraso do sul do estado é que foi tolhido de sua vocação centenária, alicerçada na mineração do carvão. 
 
Por outro lado, as mudanças teriam ocorrido  nos últimos 45  anos que, referenciados aos 4,5 bilhões de existência do planeta, dariam uma fração de 0,00000001 do tempo. Na lógica de um  “sábio” frequentador de bar de cerveja e mesa de sinuca, seria muita pretensão pensar que o ser  humano possa fazer mudanças climáticas em tempo tão diminuto, sob o ponto de vista geológico. Teria sido um delírio do famoso cientista? Pelo menos a TV Bandeirantes lançou a dúvida.