Desenha-se, em, Tubarão um novo movimento, passível de ser analisado com um olhar político e não partidário. Embora a reforma política ainda seja apenas uma “promessa”, consta em sua pauta para analise a proposta da não coligação.

 
Há igualmente um documento elaborado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) onde estão elencados dez itens para serem incorporados na reforma política. Um deles este mesmo desejo: de os partidos serem fiéis em suas ideologias.
 
Se entendermos a reforma política como um marco a nortear novos olhares e valores no cenário político, por que não considerar esta possibilidade a partir do momento atual? Por que esperar que ela tenha poder de lei para que possamos iniciar o processo?
 
Não podemos supor que em tempos de tantas transformações, há criaturas que aceitem que os fins justifiquem os meios, que seja preciso arregimentar forças no sentido negativo para vencer uma eleição a qualquer custo, mesmo que, para isto, perca-se a autonomia, colocando-se em risco toda uma gestão e ficando refém daqueles que “solidariamente” nos fortaleceram no processo eleitoral.
 
E nesta falta de autonomia para governar e, nesta cobrança desenfreada por cargos, inviabiliza-se, às vezes, toda uma gestão que deveria ser profissional e passa a ser estritamente política. Cargos que deveriam ser ocupados por técnicos, passam a ser leiloados para acalmarem os interesses dos “aliados”.
 
O inchamento da máquina pública e os altos custos para se manter este processo, faz com que setores importantes da sociedade fiquem fragilizados e, assim, a população não receba atendimento de qualidade em educação, saúde, infraestrutura e segurança, entre outros direitos garantido constitucionalmente a cada cidadão.
 
Estabelece-se, desta forma, um círculo vicioso de dependência e gratidão. O que é direito do cidadão passa a ser uma ajuda para garantir, assim, a permanência destes políticos no poder. É a relação de poder do mais forte sobre o mais fraco.
 
Alguns de nós já despertamos para esta nova compreensão e necessidade, e fazemos este movimento diferenciado, buscando sair desta aparente normalidade de que tudo que é legal é consequentemente moral, de que é possível governar sem uma força-tarefa a direcionar os caminhos de uma gestão, de que é possível governar sem ter esta tão pérfida “governabilidade”.
 
Então vamos fazer uma reflexão: o que é governabilidade? Deveria ser um padrão moral, onde o gestor público, juntamente com seus parceiros – os vereadores – faria um governo ético e transparente, onde projetos pudessem ser aprovados e fiscalizados para beneficiar toda a coletividade.
 
Desse modo, não há o que temer em buscar-se um novo caminho que, embora difícil, possibilite uma nova ordem de coisas e onde o círculo vicioso do poder dará ensejo ao circulo virtuoso do fazer, com mais justiça e fraternidade.
 
Este novo olhar sócio-político, da não coligação, não exclui uma grande rede de cooperação. Ao contrário: todos serão convidados a participar do processo governamental, como protagonistas de uma nova história a ser desenhada, cujo objetivo é a construção de uma gestão participativa, mais ética e transparente.