Formar uma banda de rock, correr o mundo com uma mochila nas costas, participar de um ato ecológico ou, simplesmente, passar horas na academia para apurar a forma física. Estas atitudes parecem mais apropriadas aos jovens do que mergulhar em um universo de faturas, duplicatas, tributos, fluxo de caixa e, principalmente, lucros e prejuízos.

Empreender, acreditam muitos, seria uma aventura arriscada, reservada a pessoas de mais idade. Porém, o quadro mudou. Um grande número de jovens, rapazes e moças, já diminuiu sensivelmente o tempo dedicado ao lazer e até aos estudos para se entregar à construção do negócio próprio – com energia e fibra comparáveis àquelas com que outras gerações já quiseram mudar o mundo. Eles são empresários precoces.

Não é mais preciso sair com uma lanterna acesa durante o dia para encontrar um jovem empreendedor, como certa vez na história o filósofo grego Diógenes fez para procurar um homem honesto. Uma pesquisa recente realizada pelo Sebrae, entre estudantes de curso superior em seis capitais do Brasil, inclusive em Florianópolis, revelou que quase 4% deles já comandavam suas empresas, número relevante e em constante crescimento. E, entre trabalhar em uma grande empresa ou ter o negócio próprio, 62% ficam com a segunda opção, inclinados pela situação do mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos.

Não seria exagero supor então que, com a atrofia do horizonte do emprego, muitos jovens estariam antecipando a decisão pelo negócio próprio. A associação entre espírito empreendedor e juventude, contudo, não é propriamente uma novidade. Entre alguns bem-sucedidos empresários catarinenses, vários começaram ainda adolescentes.

Não importa se o recém-formado é candidato a um emprego ou se tem planos de montar o próprio negócio. O mercado de trabalho passou a julgar a sua probabilidade de sucesso, principalmente por meio das chamadas características pessoais. Entre elas, o espírito empreendedor é a mais valiosa. Por empreendedor, entenda-se aquele que prefere o risco do negócio próprio ao conforto do emprego seguro. Na empresa, é aquele que ousa, que funciona como o motor propulsor do departamento onde trabalha ou da companhia inteira.

A inclinação empreendedora ganhou destaque sobre as demais características porque as empresas mudaram. Há pouco espaço para aquele profissional altamente especializado, que apenas executa as ordens recebidas do chefe. O que as empresas querem é que cada funcionário comporte-se como se fosse acionista. Entre um currículo brilhante e um profissional que demonstre ter a capacidade de trazer novas idéias e de adotar o negócio como se fosse dele, o mercado opta pelo segundo tipo, afirmam especialistas.

Um pouco de persistência, ousadia e determinação faz dos jovens empreendedores pessoas de sucesso, muitas vezes, em um curto espaço de tempo. E, para percebemos isso, basta olhar em cidades de médio porte como Tubarão. Já existe até uma entidade chamada Associação dos Jovens Empreendedores de Tubarão (Ajet), que reúne os mais novos empresários do município com intuito de aprimorar os negócios. O que é, afinal, o jovem empreendedor? É potencializar resultados por meio de muito trabalho e sem ter medo de arriscar.