Tubarão perde uma das figuras mais ilustres da área da pedagogia, José Santos Nunes, secretário de educação da prefeitura, foi vencido por um câncer, cuja luta durou pouco mais de um ano e terminou na madrugada do último sábado, com sua morte. Zé Santos, como era chamado carinhosamente por uma legião de amigos, escreveu a sua história ainda nos bancos escolares, como aluno, aliás, diga-se de passagem, exemplar, e transformou-se em um dos grandes educadores da Cidade Azul. Falar da vida do professor Zé Santos é muito arriscado, pois corre-se o risco de não lembrar de toda sua trajetória vitoriosa.

Como membro da imprensa e amigo particular, ou melhor, o considerava um irmão de coração, posso, sem medo de errar, revelar um pouco deste magnífico cidadão tubaronense. Eis uma pequena parte de seus feitos marcantes: precursor do CIP, agora Cedup, graças à contribuição e seu trabalho incessante, hoje podemos nos orgulhar deste educandário de primeira linha e de referência na região sul. Na Unisul, sempre desempenhou função de destaque pelo seu talento e conhecimento acadêmico, especialmente à época do reitor Silvestre Herdt, exercia cargo de diretor da universidade.

Na política, não era diferente. Fiel partidário, jamais divergiu em causa própria, tampouco dificultou decisões da executiva da agremiação mesmo sendo contrárias à sua vontade. Em duas legislaturas, obteve a maior votação, constituindo-se campeão de votos para a câmara de vereadores. Eleito e reeleito, Zé queria mais, seu desejo era de disputar um cargo majoritário, mas, infelizmente, forças estranhas sempre o impediam de participar, quiçá uma frustração pessoal não realizada.

Na secretaria de educação, nos governos Carlos Stüpp e Manoel Bertoncini, o mestre professor Zé Santos, com imensa capacidade que lhe era peculiar, desempenhava atribuição de secretário com muita habilidade e responsabilidade para proporcionar a todos uma educação de qualidade, na parte administrativa e principalmente ao corpo docente e discente em salas de aula. Quem o conheceu sabe perfeitamente do ser humano que era, seja no lado afetivo familiar, com os amigos e até em suas atividades profissionais.

Por onde esteve atuando, deixou sua marca registrada, acima de tudo, como homem público ilibado. Como um ser mortal igual a todos, teve seus momentos de erros, mas jamais os fazia de consciência lúcida e preconceito. De sentimento forte e possuidor de um coração enorme, Zé queria agradar a todos, indistintamente, mesmo que tal pedido estivesse fora de suas possibilidades – pelo menos ninguém saía sem reposta. Isto o credenciou para ser reconhecido com mérito por pessoas anônimas e entidades representativas.

Dentre tantas homenagens recebidas ao longo sua carreira, a última aconteceu cerca de duas semanas atrás, na câmara de vereadores. Através de proposição da tucana Beth Xuxa, José Santos Nunes foi agraciado com um título de menção honrosa. Impossibilitado de comparecer por motivo da enfermidade, a família, sob forte comoção, foi quem recebeu a merecida honraria. Por tudo que fez, fica um legado, sem sombra de dúvidas, para ser seguido hoje e para as futuras gerações. Sua partida prematura para o outro plano vai, com certeza, deixar uma lacuna desmedida não somente no espaço físico, mas também no aspecto sentimental e espiritual dos tubaronenses. Talvez por que sua missão foi cumprida aqui, segue agora em direção aos céus para sua nova morada onde vai permanecer com Deus.

Para quem duvida ou tem pouca fé, a Bíblia esclarece: “Para onde tu vais, não há obra, nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma. Mas a morte não é o fim. Os teus mortos viverão, os seus corpos ressuscitarão; despertai e exultai, vós que habitais no pó; porque o teu orvalho é orvalho de luz, e sobre a terra das sombras fá-lo-ás cair. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.