O dia 14 de novembro revela-se emblemático para as ciências.
Neste dia, em 1716, morria o filósofo, cientista, matemático e diplomata alemão Gottfried Wilhelm von Leibniz, autor do célebre aforismo A natureza não dá saltos. Exatos 60 anos depois, em 1776, nascia o fisiologista francês Rene-Joachim-Henri Dutrochet, descobridor do processo de osmose. Decorridos outros 55 anos, em 1831, morria o filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, que afirmou que “As ideias que revolucionam o mundo avançam a passo miúdo”.

Passados mais 69 anos, no dia 14 de novembro de 1900, o médico, imunologista, patologista e biólogo austríaco Karl Landsteiner desenvolveria o processo de classificação sanguínea, com os tipos de sangue A, B e O. Um ano mais tarde, Decastrello e Sturli descobriam o tipo AB.

Em suas pesquisas, Landsteiner colheu amostras de sangue de diversas pessoas, isolou os glóbulos vermelhos e fez diferentes combinações entre plasma e esses glóbulos, obtendo a aglutinação dos glóbulos vermelhos, formando grânulos, em alguns casos, e em outros, não. Estava deslindado o mistério de algumas pessoas morrerem depois de transfusões de sangue, e outras sobreviverem.

Landsteiner foi agraciado com o Nobel de Fisiologia/Medicina de 1930, não só pela classificação dos grupos sanguíneos, mas também por ter sido o descobridor do fator sanguíneo Rhesus (Rh), em 1922, quando atuava como cientista do Rockefeller Institute for Medical Research, de Nova Iorque.
Sábado passado, portanto, comemorou-se os 109 anos desse crucial (e, por que não, heróico) avanço da ciência.
Quando um bombeiro salva uma criança de um incêndio, torna-se, com justiça, um herói. O mesmo se pode dizer de um policial que, depois de muito investigar, põe fim a um sequestro. Ou das nossas fantásticas equipes da Defesa Civil, que tanto bem já fizeram em prol dos atingidos por catástrofes as mais diversas.

Nesses tempos em que boa parte das nações, sobretudo as não desenvolvidas, não dedica prioridade à pesquisa e ao desenvolvimento científico e tecnológico, devemos dar todo destaque a esta data, para exaltar personalidades como Landsteiner, Robert Koch, Albert Sabin, o casal Curie, Louis Pasteur ou o nosso Carlos Chagas.

Cientistas, como eles, têm dedicado suas vidas para salvar milhares de outras.
A decifração do DNA e a evolução no conhecimento do genoma e da neurociência terão efeitos terapêuticos sobre doenças “incuráveis”, principalmente aquelas que derivam da desorganização da célula.

Já se tem como cientificamente provável a cura do câncer, da leucemia, da AIDS, e de doenças degenerativas, como o Mal de Parkinson.
Os recenseamentos periódicos vêm revelando uma melhoria sensível nos padrões de renda e na qualidade de vida da população mundial. Mesmo em regiões mais pobres da Ásia, da África e da América Latina, tem se observado um declínio da mortalidade infantil e um aumento da expectativa de vida adulta.

Em face do avanço científico, em 2020, teremos uma população de mais de sete bilhões de habitantes, com aumento de consumidores e de pessoas inseridas no trabalho formal. Isso, sem dúvida, projeta grandes desafios!