O mundo, como o conhecemos hoje, começou a existir no dia 12 de outubro de 1492, quando o navegador Cristóvão Colombo desembarcou na ilha que os índios chamavam de Guanahaní, rebatizada como San Salvador, uma das 700 ilhas das Bahamas.
Estava descoberta a América.

Até então, a idéia geral que se fazia do mundo era de que ele era constituído por um bloco tricontinental composto pela Ásia, África e Europa, sendo todo o resto um enorme oceano. Daí porque os europeus passaram a chamar o nosso continente de Novo Mundo, pois ele representava uma completa revolução em toda a representação cosmográfica até então conhecida.

Não sei se os terroristas tiveram essa intenção, mas o abominável ataque às torres gêmeas ocorreu exatamente no dia em que, 70 dias depois de zarpar do porto espanhol de Palos, durante o pôr do sol do dia 11 de setembro, a expedição detectou os primeiros sinais de proximidade da terra.

Mas não é apenas geograficamente que se pode dizer que o mundo, como o conhecemos hoje, começou a existir após a descoberta da América. Também política, econômica, científica, tecnológica, militar e culturalmente o mundo deve muito de sua atual configuração (para o bem ou para o mal) àquele desembarque ocorrido há 516 anos.

Foi no período compreendido entre 4 de julho de 1776, quando as Treze Colônias britânicas na América do Norte firmaram sua Declaração de Independência, e 1789, quando adotaram a atual Constituição, que a democracia representativa germinou e firmou-se como um valor que, a partir dos bons resultados ali verificados (especialmente por Tocqueville), disseminou-se por todo o Ocidente.

A contribuição norte-americana para a civilização e para o bem-estar da humanidade supera em larga margem seus excessos, como a intromissão na América Latina dos anos 60, ou equívocos, como os vergonhosos campos de Guantanamo e as prisões de Abu Ghraib.

A América do Norte é um exemplo do que as nações democráticas podem realizar, especialmente em termos científicos e tecnológicos, da força plástica e da chama criadora que elas injetam nos homens livres, inoculando a vontade de crescer por si mesmo, de transformar e de assimilar o passado e o heterogêneo, de cicatrizar as suas feridas, de reparar as suas perdas, de reconstruir as formas destruídas.
E tudo isso deve-se ao italiano Cristóvão Colombo, que, indo além das Antilhas, descobriu a América!