O que um mero cidadão de Capinzal-SC pode sofrer com a banalização da violência no Rio de Janeiro? Pois bem, caro leitor. Eu também acabei vitimado pela escalada marginal do crime organizado carioca. Fui privado do direito inalienável de ir e vir, previsto na Constituição, uma espécie de conto da carochinha, na qual só a impunidade ganha guarida. Imaginem que por imposição do poder paralelo dos narcotraficantes, o evento em que participaria foi cancelado, pois o poder público não tem condições de garantir a integridade física dos participantes. Esse é o estado de coisas: o crime organizado comandando o governo desorientado.

A falência do Estado é nítida na segurança pública. Aliás, eu diria que o Estado sofre de falência múltipla de órgãos. Estou ainda pasmado com o ocorrido no caso do Enem. É aviltante acreditar que estamos submetidos a tudo isso e simplesmente aceitamos pacatamente tamanha barbárie. Que país é esse? Comemora-se a realização das Olimpíadas, e ato contínuo, mergulha-se numa verdadeira guerra civil? Vejo nosso presidente “propagandear” mundo a fora suas realizações “nunca antes na história do Brasil”, enquanto somos reféns dos bandidos, dos corruptos, dos juros abusivos, da saúde debilitada, da educação imbecilizante…

A indignação precisa começar a brotar nas consciências dos cidadãos. A julgar pelo grau da minha indignação, que só perdi uma viagem, imagino como devem estar transtornadas as pessoas que deixaram suas casas ou perderam seus entes queridos por conta desse verdadeiro estado de sítio que se tornou o Rio. Fui vítima de uma máxima que a muito defendo: “só nos preocupamos com os problemas da sociedade quando somos vítimas desse problema”. Enquanto isso não nos atinge, ficamos omissos e de certa forma coniventes. Tive sorte de não ser uma bala perdida, mas fui atingido. Minha atitude de conivência, se é que existiu, acabou. Espero que minha indignação sirva de combustível para despertar a sua, vítima direta ou indireta desse Estado fantasioso e incompetente que governa nossas vidas.