“Ninguém fica rico sendo empregado”. Essa frase lhe é familiar? Muitas pessoas praticamente já nasceram ouvindo isso. Não é o meu caso, pois venho de uma família com pouca tradição empresarial, mas a crença de que pessoas que têm um emprego não enriquecem é algo que faz parte do nosso senso comum.

Eu me considero um “estudioso do dinheiro”, tanto pela minha formação profissional essencialmente financeira quanto pelo meu interesse pessoal no assunto. Vejo o dinheiro como uma ferramenta e como uma espécie de “termômetro do mundo”, e gosto de questionar e desafiar as ideias pré-concebidas sobre dinheiro.

Essa do “ninguém fica rico sendo empregado” é uma delas. Todo ano, alguns veículos de mídia econômica publicam a lista dos bilionários do mundo. E acho interessante constatar que, nessas listas, há pelo menos uma pessoa que é um ex-executivo de empresas. Claro que não estamos falando de qualquer executivo, e sim de um que chegou ao topo de uma mega-corporação e, eventualmente, acabou se tornando acionista dela. Mas não é um “empresário” no sentido estrito da palavra. Não fundou nem criou empresas. É apenas um “empregado que deu (muito) certo”.

Algumas pessoas têm grandes ambições, e isso absolutamente não é ruim. Aliás, como já dizia o velho e bom Gordon Gekko (personagem de Michael Douglas no filme Wall Street, de 1987), “a ganância é boa”. Mas, talvez com a visão limitada pelo senso comum, acabam vendo no empreendedorismo o único caminho para concretizar suas ambições. O resultado disso? Uma minoria que tem sucesso e uma grande maioria que se arrebenta, pois empreender é uma coisa nobre, mas não é nada fácil. Poucas pessoas têm o verdadeiro perfil empreendedor.

Mas atenção: não me refiro aqui ao empreendedorismo no sentido amplo, de ter iniciativa, realizar e concretizar coisas, e nem ao “empreendedorismo interno” (que, aliás, são características essenciais para quem quer ter uma carreira profissional de sucesso). Refiro-me ao empreendedorismo no sentido limitado de “abrir seu próprio negócio”.

A boa notícia para aqueles que querem conciliar uma carreira corporativa sólida e suas vantagens, como a (relativa) estabilidade, o (por que não?) status de fazer parte de uma grande organização, a realização profissional e pessoal, entre outras, com suas ambições materiais mais extravagantes é que, cada vez mais, uma carreira profissional bem sucedida é um caminho válido para nos levar ao enriquecimento financeiro, e me refiro ao enriquecimento “de verdade”, e não apenas aquela situação que, como costumamos dizer, o sujeito está “bem de vida”.

Aqui no Brasil, já podemos saber o que significa, em termos monetários, ser um executivo “top”. A Instrução 480 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) obriga as empresas de capital aberto a divulgarem o maior e o menor salário pago aos seus principais executivos. O texto inicial da instrução previa a publicação do salário de cada diretor, individualmente, mas depois de muitos protestos o texto foi para o modelo atual. De qualquer forma, não é difícil imaginar que o salário maior é o do executivo principal (presidente ou equivalente) e os demais diretores ocupam o resto do intervalo.

As pessoas que duvidam que é possível ganhar muito dinheiro apenas tendo uma carreira profissional de sucesso terão acesso a informações que, possivelmente, as farão ver a situação com outros olhos. É possível, então, ficar rico tendo um emprego? Sim, é possível (e agora teremos a prova. Obrigado, CVM). É fácil ficar rico tendo um emprego? De jeito nenhum! E tampouco isso significa que é mais fácil ficar rico sendo empregado do que empreendedor. Isso apenas significa que existem outros caminhos, e que pessoas com diferentes perfis também terão a sua chance.