Q uando discuto a evolução das formas de produção e o respectivo impacto no setor educacional, pergunto por que 8 de março é o Dia Internacional da Mulher. Duas situações chamam atenção: mais homens do que mulheres conhecem a história deste dia. Quem desconhece, dá respostas estapafúrdias. Caso de alunos que já responderam em prova de vestibular que a data deve-se ao aniversário da Vera Fischer. Outros acreditam que se faz referência a morte de Anita Garibaldi e por aí vai.
Sobre a primeira situação, a conclusão imediata e mais otimista, mas nada científica, é que os homens estão mais interessados pelas questões femininas e querem lutar com mais determinação pelo fim das discriminações, violências e humilhações a que as mulheres ainda são submetidas.

Sobre a segunda, a grande e insofismável verdade é que, embora jorre informações por todos os lados, ainda há muita desinformação e, consequentemente, alienação. Não que todos devem saber tudo, mas pelo menos a razão original do que fazem. Por outro lado, o Dia Internacional da Mulher não é uma data qualquer. Lembra um fato importantíssimo da luta universal contra a exploração do trabalho pelo capitalismo e é insistentemente lembrado por jornais, revistas, rádios e TV, porém, apenas para oferecer os mais diversos produtos para as homenagens.

Mais mulheres são homenageadas neste dia do que no Dia das Mães. Vai do simples cumprimento, até as flores, aos presentes mais sofisticados. Uns são sinceros, outros cumprem mera formalidade, mas não se deixa de fazer. As mulheres merecem muito mais e todos os dias, mas se contribuiria melhor para as conquistas que faltam se as homenageássemos também com a consciência do feito por elas e que originou tal data.
Ao serem queimadas na fábrica em que trabalhavam, em 1857, na cidade de Nova Iorque, por reivindicarem condições dignas de trabalho (a jornada era de 16 horas por dia, além da insalubridade e desigualdade de salários), elas contribuíram enormemente para aperfeiçoar as relações de trabalho, distribuir renda e melhorar a vida dos que estão na base pirâmide social.

Não que conquistaram sozinhas ou que os trabalhadores em geral ou as próprias mulheres em particular, não têm mais o que reivindicar. Somaram-se, na verdade, à luta das mulheres russas por pão e justiça, dos operários fustigados pela Revolução Industrial e dos escravos e abolicionistas pelo fim da escravidão.
E mesmo com todo os esforços internacionais, batalhas sindicais, tecnologia e legislação específica, ainda resistem, principalmente no Brasil, focos de trabalho escravo e formas disfarçadas de exploração. Também a mulher, mesmo com as conquistas que se sucederam, ainda luta por respeito e igualdade de oportunidades. Homenageamo-las, portanto, e cada vez mais efusivamente, sem, no entanto, perder de vista a causa da homenagem, o que contribuirá, com certeza, para que outras conquistas se efetivem.