No espaço Opinião de ontem, o sargento Batista manifestou o seu amor e responsabilidade como cidadão tubaronense pelas experiências da cidade, inclusive a universidade. Sobre o tema modalidades de escolha, como afirmou o estudante de comunicação Lucas Borges, também em Opinião, “não sejamos ingênuos para acreditar que a eleição da forma direta é uma garantia da qualidade do eleito”.

Os estudantes que participam de forma livre e responsável dos centros acadêmicos, e que viajam para trabalhos voluntários pelo Brasil, têm um perfil diferente dos que não conhecem nem o próprio número de matrícula e que, fora do espaço da sala de aula, conhecem apenas os bares da coroa de espinhos alcoólica que infelizmente rodeia a universidade.

Eleição direta não é um instrumento mágico capaz de salvar o mundo. Não retiramos do voto direto suas virtudes, mas não atribuímos a ele virtudes salvadoras que não tem. Várias experiências democráticas funcionam melhor com colégios eleitorais bem representativos. A suposta superioridade moral da modalidade direta sobre a indireta está mais para mito do que para realidade.

Se Lula se apresentasse hoje como candidato a um terceiro mandato, seria provavelmente eleito. E isso seria uma lástima para a democracia. O voto direto não é suficiente para impor e assegurar qualidade num sistema democrático. E torna-se um mito quando a ele é atribuída força messiânica (salvadora).

Numa democracia, não basta a representatividade. A Itália recentemente conseguiu libertar-se do excesso de representatividade: dezenas de partidinhos que impediam o desenvolvimento político e econômico da península itálica voltaram para casa. A Itália optou pelo fim do excesso de representatividade (no governo e na oposição) e escolheu a governabilidade com representação qualitativa.

Atualmente, organizações públicas e privadas tomam decisões importantes a cada dia. E o pão da decisão sairia velho da padaria se tivesse que receber o palpite de todos. Claro que não escrevo isso para defender posições autoritárias, mas para criticar posições demagógicas.

Entre a demagogia dos representativistas e o autoritarismo dos que defendem uma governabilidade sem representatividade, o sistema de representação qualitativa surge como alternativa democrática mais viável. E é tal sistema moderno alargado de participação que está sendo estudado para a própria Unisul (ver matéria no Notisul, na página 3 do dia 19 de abril de 2008).

“Mas a Unisul demitiu injustamente tal professor”, disse-me alguém. Ora, isso é um problema, mas um problema diferente. “Não gosto do jeitão sério do fulano ou do cicrano”, diz um outro. Ora, isso também é um problema, mas de antipatia, problema psicológico e não político. Há pessoas que nem sabem o alvo que querem atingir quando criticam a universidade. Dizem que lutam contra a gaiola, quando, na verdade, estão batendo no passarinho.

Em Tubarão, há pessoas responsáveis, como o sargento Batista, o estudante Lucas Borges e tantíssimos outros, mas há também situações estranhas. Comigo, que sou professor, aconteceu mais de uma vez o seguinte: uma pessoa aproxima-se, elogia os meus comentários na UnisulTV e Notisul e, depois de alguns dias, pergunta se a Unisul não poderia ajudar com dinheiro nisso ou naquilo. Respondo que não posso ajudá-lo. Já no dia seguinte, não me cumprimenta mais.