Como já é de conhecimento público, reitero a notícia de que estou efetivamente me afastando desde a data de hoje do cargo de diretor de futebol profissional do Hercílio Luz Futebol Clube.

Os fatos que me levaram a tomar tal atitude foram os seguintes:
Em dezembro de 2009, fui procurado por diretores do Hercílio Luz, que me fizeram um convite para ocupar o cargo de diretor de futebol profissional daquela equipe. À época, a diretoria me solicitou a apresentação de um planejamento para ao futebol para o ano de 2010, visando o acesso à 1ª divisão do Estadual, bem como um orçamento, o que de fato apresentei à diretoria, tendo sido o planejamento e o orçamento aprovados.

Aprovado o planejamento e o orçamento, iniciei desde logo os trabalhos.
Dentre os planos, para dar suporte financeiro à equipe, constava a construção de uma empresa voltada à capitação de recursos por meio de investidores locais, cujo projeto da estruturação da empresa ficou a cargo do respeitadíssimo advogado tubaronense Dr. Megálvio Mussi Junior, cuja estrutura legal e o projeto foram elaborados e apresentados a alguns diretores do Hercílio e empresários locais que apoiaram de pronto .

No campo técnico, elaborei uma lista de vários treinadores, preparadores físicos e preparadores de goleiros, uma equipe para cada umas das diversas propostas de planejamento de trabalhos, com orçamento completo.
A melhor proposta, no aspecto técnico e financeiro foi a que propunha contratação de comissão técnica a partir de maio e o início oficial dos trabalhos em 1º de junho, sendo que essa proposta incluía o técnico Edson Belmonte, com quem fui autorizado pela diretoria a efetuar as tratativas e formalizar o acerto, o que de fato ocorreu.

Imediatamente ao acerto com Belmonte, traçamos um plano de marketing para dar visibilidade ao Hercílio Luz, plano esse orientado pela empresa de marketing e propaganda R-Costa, de Tubarão, no que logramos grande êxito, visto que o Hercílio Luz, nesse tempo, passou de equipe de segundo plano para destaque na imprensa regional e estadual, criando-se um consenso de que o Hercílio Luz era a “bola da vez”.

Elaboramos (Clovis, Dudu Gasperim e Belmonte) uma lista de mais de 50 atletas, efetuamos vários contatos até chegarmos a uma lista de 22 atletas, todos de alto nível, tendo feito os acertos financeiros muito abaixo da média de salários para jogadores daquela qualidade e bem dentro do orçamento aprovado pela diretoria.
Pois bem, nesse meio tempo, fui procurado por uma pessoa que se dizia representante de um grupo italiano que queria investir no futebol do Hercílio Luz. Apresentei a pessoa à diretoria e, a partir daí, passaram a realizar reuniões sem a minha presença e sem meu conhecimento, o que me causou estranheza, até que chegarem a um acordo no dia de ontem de modo a passar para aquelas pessoas a direção do futebol do Hercílio Luz.

Aquelas pessoas, que garantia nenhuma ofereceram ao Hercílio Luz quanto aos investimentos prometidos, diferem completamente do meu planejamento técnico, embora o projeto de longo prazo apresentado por aquelas pessoas seja cópia fiel e descarada do trabalho que tínhamos antes apresentado (frise-se: antes, apresentarem o projeto deles para o Hercílio, solicitaram cópia do que eu, o Dr. Megálvio, Belmonte e Dudu Gasperim elaboramos, leram, copiaram e se auto determinaram autores originais, sem pudor algum).

A proposta do novo grupo é desconsiderar todos os acertos com atletas que nós já havíamos firmado, com consentimento da diretoria, diga-se, alterar as datas de início dos trabalhos e contratar novo grupo de jogadores de acordo com o interesse deles, ou seja, desautorizar tudo o que tínhamos planejado e assumido. Como poderia eu continuar como diretor de futebol do Hercílio e quebrar a palavra dada aos atletas que deixaram de acertar contratos com outras equipes em função da obrigação verbal assumida comigo e com o Hercílio? Como continuar em um projeto onde a ação do diretor de futebol teria que passar pelo crive de um seu subordinado? Que fincão teria esse diretor de futebol que nada mais iria decidir? Apenas aplaudir. Que moral teria esse diretor de futebol sem palavras?

Diante dos fatos, não me restou alternativa, senão, sair do projeto e deixar para que eles, “gênios do futebol”, façam o que é melhor para o Hercílio.
Sem mágoas da diretoria, saí, deixando lá grandes amigos, mas lamentando a opção.
Agradeço o apoio da imprensa, dos torcedores, em especial daqueles que torcem pelo futebol de Tubarão, sem cores e sem interesses pessoais e espero que continuem apoiando o futebol de Tubarão, para o bem da cidade e de nossos aficionados pelo futebol.
Saio por ora, mas continuo à disposição do futebol desta querida região, meu berço.