Claudia Martins de Souza
psicopedagoga e coordenadora do Ensino Fundamental Anos Finais no Colégio Marista Paranaense

Voltar às aulas deve ser um momento esperado pela criança, pelo adolescente ou jovem e também pela família. Este momento já faz parte do ambiente familiar, visto que a compra dos materiais, do uniforme, a preparação da agenda anual da família e da criança devem ser atividades trabalhadas em conjunto. Sendo assim, imaginamos que o diálogo entre esses pares deve ser aberto e motivador, claro e organizado.

É uma nova etapa que todos passarão a assumir e vivenciar, seja ela a mudança para uma nova escola, a transição entre segmentos, a mudança de turno ou o recomeço de tudo; é um momento que deve ser discutido e preparado da melhor forma, mostrando os avanços que serão atingidos ou esperados para esta nova etapa, o equilíbrio que será tomado pela família na organização funcional, o apoio emocional que será ofertado para este momento. Com isso, todos devem se sentir seguros para as mudanças ou para a retomada de um novo passo nesse caminhar da vida.
Durante as férias, é importante que o estudante realmente possa descansar, vivenciar momentos em família, ter acesso à cultura, lazer, esportes e outros tantos fatores disponíveis. A família pode propor momentos de leituras dos títulos literários da série ou nível  a ser frequentado, estimulando o hábito como rotina, e propondo melhor organização para o início do ano letivo. Entretanto, o destaque é para o descanso: crianças e adolescentes precisam brincar, dormir, rir e sonhar. A maioria das crianças e dos jovens estão motivadas com o início do ano letivo porque querem rever amigos, professores e fazer parte deste grupo chamado “escola”, que tem um valor grande para eles. Na escola, eles fazem parte de um grupo que lhes permite ter um sentimento de pertença, um espaço para renovar e criar relações sociais. Na escola, eles progridem em pensamentos, ações, amadurecem e passam a olhar o mundo de outras formas. Voltar para um novo lugar, ou para o mesmo lugar com novas possibilidades de amizades e aprendizado, é muito positivo. É bom sentir isso pulsando no coração e na alma. E para que esse sentimento realmente seja bom, ele deve ser vivenciado pela família, que poderá fazer com que eles se sintam motivados para as novas expectativas, desafios e responsabilidades.

Crianças e jovens do século 21 querem ser protagonistas de suas histórias, querem também ajudar a decidir alguns aspectos que os envolverão durante o ano ou a etapa que iniciarão, mas também é importante que compreendam que podem decidir junto aos pais, mães e responsáveis, e que a autonomia é construída por meio da execução das responsabilidades, e é conquistada no dia a dia. Eles podem e devem ser ouvidos, sempre dentro do limite do adulto. Todos querem estar na escola de um jeito ou de outro, basta entender ou mostrar como é bom crescer e aprender. Pais, professores, educadores, responsáveis devem ter a mesma linguagem, a linguagem do afeto e a linguagem do limite, aquela que demonstra amor, mas que também demonstra responsabilidade no jeito de ser e de fazer, de dar e receber.