Acrítica situação da saúde pública no Brasil se arrasta há décadas e parece sem fim. Os danos à população são inúmeros, da falta de atendimento básico a hospitais lotados e profissionais sobrecarregados. Uma realidade que pode ser mudada com o auxílio da tecnologia e cobranças mais efetivas da sociedade para mais investimentos do poder público na melhoria do acesso à saúde.

Anualmente, o Sistema Único de Saúde realiza aproximadamente quatro bilhões de procedimentos ambulatórios, mais de 530 milhões de atendimentos e supera 11 milhões de internações. Falando em planos de saúde, mais de 60 milhões de brasileiros possuem esse benefício. Entretanto, pessoas com ou sem planos sofrem do mesmo mal: a falta de profissionais para suportar a demanda de pacientes.

Segundo dados do Portal da Saúde do Governo, o Brasil tem 1,8 médicos para cada mil brasileiros, índice abaixo de outros latino-americanos como Argentina (3,2) e México (2). Para igualar-se à média de 2,7 médicos por mil habitantes na Inglaterra, cujo sistema de saúde se inspirou o SUS, o Brasil precisaria ter mais 168.424 médicos. Conforme o IBGE, 42% das cidades têm até 10 mil habitantes e 72% têm até 20 mil. A maioria não tem estrutura médica.

Esse panorama deixa explícita a decadência do nosso modelo de sistema de saúde e a falta de investimento em tecnologias que podem facilitar, adiantar e melhorar os atendimentos nas pequenas, médias e grandes cidades. A deficiência é maior nos municípios menores, que possuem centros médicos pequenos, escassez de profissionais especializados e equipamentos necessários para diversos tipos de exame. A realidade de muitos usuários é depender dos transportes disponibilizados pelas prefeituras para buscarem tratamentos e consultas em cidades vizinhas, ou nas grandes metrópoles.

Toda essa movimentação e falta de acesso a equipamentos e exames podem ser evitados com o investimento em tecnologia. Um centro médico no interior do Ceará hoje consegue se comunicar e emitir laudos de um paciente com a ajuda de profissionais do Rio de Janeiro, por exemplo. Uma clínica no Oiapoque que dependa de um laudo de exame urgente para preparar um paciente para procedimentos operatórios pode solicitar ajuda de plantonistas no Chuí. Mas dependemos da ação dos nossos governantes para evoluirmos nossa medicina e aumentar os benefícios para a população.

No Brasil, com regulamentação ainda restrita pelo Conselho Federal de Medicina, a Telemedicina pode ser aplicada em iniciativas como a capacitação profissional complementar, em estudos e pesquisas e na emissão de laudos a distância. Este último com grande representação na saúde financeira de clínicas médicas e de saúde ocupacional, por exemplo, que podem reduzir em até 30% o seu custo operacional graças à praticidade e agilidade que a terceirização deste serviço consegue obter com os laudos remotos.

Segundo a American Telemedicine Association, países como os EUA utilizam sistemas de atendimento online e há 80% de acerto no diagnóstico de patologias simples, o que evita o deslocamento de pacientes. Segundo a associação, 97% dos usuários aprovam esse modelo de serviço, alegam redução de tempo, custos e rapidez para solução dos casos. Ainda mais adiante, em situações de patologias que necessitam de mais atenção, o acompanhamento profissional pode ser feito a distância. Com o uso da telemedicina podemos levar médicos e especialistas a qualquer uma destas cidades e estaríamos, enfim, favorecendo o acesso à saúde e  à necessidade da sociedade brasileira.