As escolas catarinenses, no período do governo Nereu Ramos (1397-1945), voltaram-se para o assistencialismo.

 
Esta visão assistencialista depositava totalmente na escola a incumbência de educar as crianças, física, moral e espiritualmente.
 
O ensino domiciliar, estratégia usada pelos núcleos estrangeiros, passou a ser proibido, e a frequência escolar tornou-se obrigatória, tudo com o objetivo de “nacionalizar” os cidadãos.
 
O ideário do Estado Novo, que priorizava a saúde e a educação racionalista, estava presente em Santa Catarina.
 
O fenômeno da homogeneização do cidadão saudável e bem educado tomou corpo, estabelecendo-se como padrão do bom trabalhador.
 
A rigidez e a disciplina ocupavam grande espaço, notadamente na educação física. O estado buscava com isso fortificar a raça, militarizar e preparar o “cidadão para o trabalho”. Mas uma faceta do totalitarismo que chegou às escolas, coibindo a ação e o pensamento livres, e chegou naturalmente ao cotidiano da população. 
 
“(…) a criança foi preparada para aceitar a repetição, a monotonia e a fadiga, provenientes do trabalho moderno e obedecer aos modelos de ordem exigidos pela vida urbana-fabríl. (CAMPOS, p. 153).
 
Contudo, apesar das drásticas medidas empregadas no sentido de fortalecer o sentimento nacional, como a proibição da língua estrangeira nas escolas, não foram suficientes para esconder os fortes traços da colonização no sul do país.
 
Visando ainda perfectibilização da sociedade, além de interferir na educação as crianças – e, por via de consequência, no modo de vida das famílias – o estado adotou uma política de isolamento dos cidadãos indesejados, como loucos, prostitutas, pobres e estrangeiros (estado excludente).
 
Neste contexto, dentro do estado catarinense, as regiões de imigração alemã foram apontadas como risco às intenções nacionalizadoras, diante da sua autonomia, forma de trabalho e alto desenvolvimento econômico, fortemente marcado pela industrialização.
 
Em 1938, 138 escolas particulares foram fechadas, enquanto 99 escolas públicas estaduais e outras 144 municipais foram abertas, todas sob fiscalização estatal.
 
A intervenção ideologia implantada por Nereu Ramos atingiu profundamente o conteúdo das aulas ministradas. Na história, por exemplo, o estado exerceu ingerências, determinando a mudança de forma de se contar a história do Brasil, em mais um esforço de nacionalizador heróis.
 
A questão da linguagem tomou grandes proporções, não apenas porque certos núcleos utilizavam o idioma alemão e italiano, por exemplo, mas também pelo uso de “estrangeirismo” na língua portuguesa.
 
As famílias foram responsabilizadas pela ineficiência em disciplinar corretamente as crianças e os jovens, oportunidade em que o movimento escotista, os internatos e semi-internatos ganharam força.
 
O instituto da censura também foi usado na imprensa com vistas a reforçar o sentido de brasilidade e diminuir o elemento estrangeiro.
 
Assim, a intervenção das escolas na educação e na linguagem catarinense cumpriu o seu papel no “adestramento” da população para a consequente aceitação, sem maiores discussões, da ideologia do estado novo: preparar o “cidadão para o trabalho”.